sábado, 15 de agosto de 2009

Relato Farrapos 1000 km- Rogério Bernardes

Leia e veja fotos no original:
http://www.infogiro.com.br/index.php/noticias/1-ciclismo/49-rogerban-conta-sua-participacao-no-brevet-farrapos-1000


Frio, chuva, estradas mal pavimentadas e 1017km no desafio do Brevet Farrapos 1000. Rogério Bernardes, vulgo Roger Ban, conta em detalhes como se tornou o primeiro brasiliense nato a cumprir esta dura tarefa.

Foi numa destas promessas interiores, daquelas que se faz nos reveillons que decidi que 2009 iria ser meu ano Audax - resgataria assim o sonho de concluir a série Super Randonneeur (200/300/400/600), sonho que deixei para trás em 2007, após participar do Audax Brasília 200 e 300. Eu ainda não tinha consciência que esta jornada me levaria ao gélido e duro Brevet Farrapos 1000Km em Santa Cruz do Sul - RS.
Graças aos grupos de ciclismo de Brasília: PNDF, Pikí da Trilha, Rebas do Cerrado, Vai Encarar e MTBB , foi possível veicular o "Frita-Bacon - seu treino rumo ao Audax 2009", ali conheceria meu colega e atual Farrapo Brevetado 1000Km Jonas Ruschel. Nos juntaríamos também ao Ciclismo de Longa Distância - LD, com o Guru Maltoestriquinado Osvaldo e Cia. e a Guerreira Érika (ambos Super Randonneeurs e Farrapos não brevetados).

Após a decisão do PNDF de cancelar o Audax 400 em Brasília, restou-me seguir para o Sul, em busca dos brevets de 400 e 600, vencidas estas etapas, eis que me deu um comichão e inscrevi-me para os 1000 km.


Jonas Ruschel
Os brevets de 400 e 600, aconteceram em veranicos (janelas de clima agradável no inverno), já nos Farrapos viríamos a enfrentar frio até abaixo de zero, o pior inverno da região nos últimos anos, caminhoneiros "amistosos", chuva, sono, estradas com péssimo pavimento em alguns trechos (mas isto tudo já tínhamos´ noção). O que não dá pra imaginar é que 600 + 400 é totalmente diferente do desafio dos 1000 Km.

Então as impreteríveis 03:30 horas de quinta-feira iniciou-se mais uma vez a festa iluminada dos elétricos e audaciosos ciclistas, a Fênix da Revolução Farroupilha acordara e começava o conflito entre razão e paixão. Aos racionais, muitas vezes o melhor seria desistir e preservarem-se, já os insanos transmutariam-se em Farrapos Pedalantes daqueles gélidos pampas.

Assim segui girando, a indumentária completa era digna do guarda-roupa de um cavaleiro medievo: Balaclava, luvas, casaco corta-vento, calça e blusa térmica tipo segunda pele - uma verdadeira armadura, fechada por um ridículo óculos amarelo e capacete - digno dos insanos randoneiros.


Roger Ban
Não é um desafio físico, ou não é somente físico. Para vencê-lo foi necessário utilizar várias ferramentas psicológicas: Resgate de situações vividas anteriormente, ter a certeza sempre que iria conseguir chegar ao fim, não mudar muito a estratégia pré-estabelecida, meditar e até criar um colega de pedal imaginário – tal qual o Sr. Wilsson do Náufrago o "Dom" me acompanhou durante os 140 finais, quando pedalei sozinho, sonolento e com chuva.

Após 72:51 meu colega Jonas - O gaúcho cruzaria a linha de chegada dos 1017 Kms, 16 minutos depois com 73:07, totalmente encharcado, esfarrapado e feliz, eu também chegaria em Santa Cruz do Sul, me tornaria o primeiro brasiliense nato a concluir um Brevet de 1000 Km. Felizes e esfarrapados, ficamos honrados em representar Brasília, juntamente com os colegas LD Osvaldo Nunes e Érika Fernandes, naquele que foi sem dúvidas, o mais longo e duro evento ciclístico do ano de 2009 em nosso país.

Roger Ban

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Relato Farrapos 1000- Claiton

Minha prova começou as 2 e 30 da manhã de quinta feira dia 30 de julho.Parti de Vera Cruz juntamente com o Udo,pedalamos 12 km Até o local de início da prova.

Achei que já chegaria aquecido para a prova,que nada, estava um frio da porra.Termômetro marcando 2 graus,logo passou em minha cabeça como estaria para os lados de Encruzilhada,Canguçu.Mas a partir dali não tinha mais nada a ser feito do que pedalar e encarar essa friaca.

Segui num ritmo cadenciado,sem forçar muito,alguns ciclistas em minha frente,outros mais atrás,estava pelo meio do bolo.Resolvi fazer o meu próprio ritmo,sem me afobar,e querer seguir os que estavam mais rápido.A solidão estava recém começando em meio a escuridão.Chegando na descida das Polacas perto de Rio Pardo,o primeiro imprevisto,meu espelho retrovisor caiu.Tive q parar no meio da descida para procurar aquilo que poderia fazer falta mais adiante.

Chegando no trevo de acesso a Pantano Grande ( Capital do Mijo ),decidi não parar na Raabelândia.Fui seguindo sempre no mesmo ritmo e sozinho. Já em Encruzilhada do Sul o frio começava a apertar,o vento gelado batendo de frente,sensação térmica abaixo de zero,e eu ali disposto a encarar qualquer coisa.

Cinco km antes do primeiro PA,percebi q minha roda traseira estava com algum problema,parei e vi que p pneu estava para fora do aro em uma parte.Decidi andar assim até o PA.

Quando fui para tirar o pneu,comecei a apanhar,devido aos meus dedos estarem praticamente congelados do frio.O Miguel percebeu e deu me uma força,valeu Miguel.Em seguida fui comer um macarrão quentinho com molho de graxaim.

O sol começava a brilhar e a temperatura ficando mais agradável,um alívio,pelo menos até a próxima noite.Segui sem problemas até o boteco da ponte do Rio Camaquã,onde parei para tomar um café,e comer uns biscoitos.Dali foram mais uns 45 km até o primeiro Pc da prova.

Parei para almoçar, escovar os dentes,comer umas bergamotas,maçãs.Levei mais algumas frutas comigo para fazer os próximos 50 km até depois da subida do Abranjo,cerca de 5 km.´

Depois da subida do Abranjo estava o Miguel com o PC móvel.Tomei um café,mais duas bananas e uma barra de cereal made in hand by Rolf.Peguei alguns jornais e forrei o tórax para amenizar o frio que começava a aparecer novamente.Segui em direção a próxima parada, o mesmo local que servia molho de Graxaim.Dessa vez resolvi não comer,fiquei na base do café.

Depois do café,essa parte do trajeto de retorno a Raabelândia era considerada tranquila, devido a ter mais retas e descidas.Isso se não fosse o frio,os dedos voltavam a congelar.Chegando em Pantano Grande consegui umas sacolas plásticas para colocar sobre as luvas.

Jornais,sacolas de supermercado, eu parecia um mendigo pedalante noturno,foi assim que comecei aquele trecho,com acostamentos ruins, subidinhas leves que pareciam longas.O sono começava a dar seus primeiros sinais.Cheguei em Santa Cruz do Sul as 2 e 30h junto com o Udo.Passaporte carimbado,416km de pedal concluídos,e nada de dormir.Conforme o planejado viemos até Vera Cruz ( capital do sono).Nesse trecho lideramos a prova.Andávamos num ritmo muito lento,com sono,cansaço,mas mesmo lentos liderávamos a prova,enquanto os outros ciclistas dormiam no Hotel em Santa Cruz.Chegamos em VC por volta das 3 e 15 da manhã de sexta feira.Marcamos nossa saída para as 8 e 30 h,devido a alguns atrasos partimos as 09:00.

O movimento de veículos entre VC e Novo Cabrais era grande,conforme o esperado.Em Candelária encontramos o Isac,nos juntamos a ele e pedalamos até o PA em Novo Cabrais num ritmo muito bom.Lá encontramos o companheiro Oswaldo com problemas,trocamos algumas palavras,tomamos café e partimos.

Na parte de Novo Cabrais a Cachoeira do sul,o cuidado teve que ser redobrado,estavam fazendo o recapeamento da rodovia,seguimos eu,Udo e Isac até um posto em Cachoeira onde paramos para almoçar.Quando estávamos saindo o colega Jéferson Buzina vinha chegando.

Quando faltavam cerca de 10 km para o PC do Papagaios,nos juntamos com o Jonas, e o Velho Lazary.

Uma breve parada no Papagaio,e ingressamos na Br 290,onde o vento era forte contra nós.Nessa altura da prova estava eu,Udo,Rubens,Vitor,Rogério e se não me engano o Èdson,onde pedalávamos pela rodovia dos caminhoneiros.Paramos no pedágio de Pantano Grande para secarmos as térmicas de chá e café,tudo de graça,ao menos isso.

Dali pedalamos num ritmo forte até o Posto Dragão em Rio Pardo,onde foi feita mais uma parada para café e lanche.

A chegada em Santa Cruz do Sul foi por cerca das 22h e 30 min.A segunda parte da prova 227 km ,acabava de ser concluída.

Partimos do Hotel Antonios, PC,logo após a chegada,juntamente com O Faccin,e o Rodrigo.

O tempo começava a fechar,dei uma parada no posto Nevoeiro para pegar algumas sacolas plásticas para colocar meus pertences para não molhar em caso de chuva.

Chegamos no Casa Cheia por volta das 23 e 30,quase fechando o local,tiveram q suportar ciclistas famintos e com sede de café.

Uma leve garoa começará a cair,o frio havia dado uma trégua,seguimos batendo uns papos com nada de útil até perto de Encantado.Por lá avistamos uma menina gritando freneticamente em meio a rodovia,na escuridão,onde quase foi atropelada por uma caminhão.Ela dizia: tu não me ama Rsrs.O seu namorado,marido,amigo,ou sei lá o que, ligou sua máquina motorizada em frente do local onde havia uma festa ,e veio em alta velocidade contra nós,nos causando medo.Mas por sorte nada de grave nos aconteceu.Dali seguimos até o Próximo Pc no Hotel Hengu.

Comi uma sopa quente e cochilei na mesa do hotel,enquanto o Udo cochilava numa cadeira do lado de fora do Hotel.Saímos do Hotel por volta das 07 horas do sábado.Faltavam mais 96 km até Santa cruz do Sul para concluirmos a terceira parte da prova.Em meio a esse trecho o Udo comprou umas bergamotas e fez a boa ação do dia,distribuindo elas a nós.

Chegando no pedágio de Santa Cruz,o Luiz fez um ato maroto,tirou os cones para não precisarmos passar naqueles tachões desgraçados.Quando não quiseres passar pelos tachões pedale com o Luiz.

Nossa chegada no Antonios foi pelo meio dia de sábado,terceira parte da prova concluída,e o sentimento que iria completar a prova estava mais próximo.

Agradeço ao Oswaldo por limpar e lubrificar minha corrente,obrigado Oswaldo

Eu e o Udo depois de fazermos umas compras em um Supermercado,fizemos nosso almoço sentados no meio fio de um cemitério,em seguida partimos em direção a passo do Sobrado.O Udo estava num ritmo melhor do que eu,e resolveu completar a prova com média 15 km/h,sabendo de minhas limitações segui num ritmo mais lento,até vale Verde,onde parei para comprar um iogurte litro e descansar um pouco.O sono estava me dominando,não estava rendendo,pedalava muito devagar.Depois de ingressar na rodovia que segue para o PPP encontrei o Pexe e pedi a ele uns guaranás,mas nada adiantou,o sono predominava,cheguei arrastado do me até o PPP,onde coloquei o despertador para tocar dentro de 40 min.Deitei num banco,e apaguei, ao lado de pinguços que estavam regulando suas lentas e falando em vozes altas,não ouvi nada, somente o som do despertador que estava em meu sub consciente.Acordei,parecia que havia dormido um dia,minhas pedaladas começaram a render novamente,com isso me contentei,e segui num ritmo forte até o PC magnífico,o melhor que já vi em todos os Audax e randonnées que fiz até hj.Serviram dois pratos de sopa para mim,encheram minhas caramanholas,e ofereceram tantas coisas que nem lembro mais,obrigado pessoal do PC7.

A sensação de terminar os 1000 km estava próxima,faltavam só mais 89 km,parecia fácil,mas para quem já havia pedalado mais de 900 km,não.Segui até o PPP no retorno e coloquei mais um combustível,um prato de macarrão,dessa vez sem molho de graxaim.Em seguida segui rumo a Vale Verde,a chuva começava a se aproximar,até que..........dilúvio a vista.Raios,trovões, chuva,buracos,escuridão,pista escorregadia,e alguns seres insanos em meio a isso.Ao menos o sono não veio,a concentração para não cair da bike inibiu isso.Cheguei na parte final das sete curvas andando com cuidado,parecia corrida de fórmula 1,quando o piloto está liderando a prova com folga e completa a bandeirada final na ponta dos dedos,nesse caso foi na ponta dos pés.Cheguei na bandeirada final encharcado as 00e 43 de domingo.O Giovani Faccin ficou com pena de mim e não deixou eu pedalar mais 12 km até em casa,hehe.Valeu Giovani!!

Abraços
Claiton Buguera Ketzer

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Baiano ciclista e poeta!

Relato Poetico do brevet 1000

O telefone toca, 2:30 me acordando ia

O frio era de lascar e a cabeça doía

Suco fruta café um bolo comia

Para quarto ânsia e muito vomito vinha

03h30min a largada a dor de cabeça não me largava insistia doía, doía

Para traz eu ficava vendo os companheiros e meandros de luzes vermelhas piscando nas curvas estrada a fora aos poucos sumiam.

No Rabelandia água pão café e lá vomito se vinha

Será que desistiria, ou conseguiria? Mas insistia, insistia em frente prosseguia

Por favor me ajude Deus minha virgem Maria

No posto Br Dragão o dia raiando vinha

Céu azul sol no horizonte brilhando e as minhas preces Deus ouvia

e a dor de cabeça se ia e a alegria se vinha.

Descida do Abranjo Ponte sobre o Rio Camaquã Posto fita azul e duzentos quilômetros se iam com o Jonas, Lazari e Erich eu vinha.

Volta na quadra asfalto bom e acostamento não tinha

Mas cobrança de pedágio falta de respeito ao ciclista tinha

Apressados os caminhões se vinham para o acostamento e para os buracos eu fugia

Com problemas respiratórios lá pelo Papagaio o companheiro Erich desistia

Sentia, e para ajuda-lo nada a fazer podia.

De Encantado eu vinha e para General Câmara em companhia do sono eu ia

Com a chuva fria, a forte Lidiane, o Jefferson Buzina e a felicidade eu vinha.

No hotel os olhos marejam, e as

Lagrimas caiam.



Abraço

Parabéns a todos.

Dacivaldo.

Relato do Pexe

Nem sei como começar mas vai lá!
Meu nome é Jair ,mais conhecido por Pexe entre os amigos .
Estou super feliz de ter participado da mais longa etapa de audax já realizada no Brasil. Esta prova serviu para encurtar laços de amizades com muitos ciclistas de várias cidades e estados. A prova foi dura mas todos estavam determinados a ir até o fim. Nos 2 primeiros dias o frio e o sono foram os piores adversário. Tivemos alguns amigos e amigas que por problemas diversos tiveram que sair da prova. Os que continuavam buscavam se incentivar com conversa , piadas e histórias , nem parecia que era um audax. A organização ao meu ver foi muito eficiente. Dos 29 ciclistas que largaram 17 terminaram com êxito. Entre os que terminaram tenho que elogiar a força e garra de uma mulher. A Lidiane com certeza será lembrada para sempre como a primeira mulher a completar uma prova audax de 1000 km no Brasil. Com certeza terão outras provas 1000 km no Brasil, mas na primeira Lidiane tem seu nome gravado como vencedora. Outra pessoa que demonstrou muita garra foi seu Mogens que com 60 anos também terminou a prova. Eu treinei muito e dentro das minhas previsões fiz uma boa prova em 62:10 h. Tenho que elogiar também o Luiz Faccin que lutou muito para que essa prova fosse realiza. Apesar de não ter tido tempo de treinar muito, ele participou da prova pedalando e levando muita alegria a todos que estavam a sua volta, completou a prova cansado mas feliz.


Para me preparar pra série audax 2009 eu comecei a treinar já em dezembro do ano passado. Quando peguei férias coletivas na Randon e fiz uma pedalada de mais de 1700 km indo de Caxias do Sul me direção ao litoral e depois indo para o Paraná até Foz do Iguaçu. Isso em 10 dias no total e 7 dias e meio de pedal com uma carga de 15 kg. Depois veio a rotina de 2000 km de treinos por mês , em minha vida nada vem fácil tudo tem que ser com muito trabalho , nessa minha jornada contei com apoio de muita gente , meu salário de metalúrgico é pouco pra tantos gastos com ciclismo de longa distancia. Nos brevets deste ano eu tinha o propósito de homologar bons tempos pois tenho a ambição de correr provas profissionais, mas para isso eu precisava provar pra mim que tenho condições. Em momento algum eu queria andar na frente para provar que era o melhor da bike, ou coisa assim. Sei que Audax não é prova de velocidade. Fui muito bem recebido nas provas em Santa Cruz e me sentia pedalando em casa. Uma idéia mais boa foi essa de juntar as provas de 400 km e 600 km e com isso a turma já conhecia o trajeto inteiro onde seria a prova de 1000 km. Os voluntários da prova foram perfeitos ao meu ver, a organização foi nota 10.
Bom vou falar um pouco da prova de 1000 km. Eu não sabia como meu corpo iria reagir a tanta distancia decidi moderar um pouco o ritmo. Na primeira perna só fui rápido para alcançar os dois ciclistas de Santa Catarina que iam num ritmo alucinado onde tive que fazer muita força, mas serviu para esquentar um pouco. No posto Fita Azul ( PC-1) parei 30 min e já estava na estrada. Cheguei depois das 22 h no hotel e as 3 h da madruga peguei a estrada sozinho. O frio estava muito intenso mas decidido eu ia em frente. Depois das 15 horas eu estava no hotel de novo e tirei um cochilo de 1:30h. Parti para Encantado, chegando lá apareceu uma chuva e fiquei lá mais de hora. No retorno encontrei o Saul quase chegando no Pc.

Depois de Lajeado encontrei com o Faccin, Udo, Rodrigo e Claiton, parei e ficamos conversando um tempão, depois segui e ia passando por vários audaxiosos. Cheguei no hotel as 5:09 h e pedi para me acordarem as 7 h , a ultima perna do Audax eu moderei ainda mais o ritmo. Queria curtir o que seria o fim da prova.
Em General Câmara cheguei muito cedo e perdi a sopa, mas tomei um belo café com bolo. Nos últimos 60 km era tudo alegria sabia que chegaria ainda de dia. Ao passar pelos amigos parava a bike pra conversar e perguntar se não precisava de algo pois tinha suplementos alimentares sobrando e pilhas que para mim não iam ter mais utilidade naquela prova. Cheguei as 17:40 h e depois de carimbar o passaporte pedi pra fazer uma ligação pra minha mãe e disse que tinha chegado são e salvo .

domingo, 9 de agosto de 2009

Relato do Rolf

Prezad@ amig@/colega audaxioso!

Embora não tenha assumido o compromisso de escrever um relato, quero registrar alguns momentos que me marcaram nesta última e única prova.

Foi com muita alegria que cheguei ao PC-7 às 7:30 da manhã de sábado e lá já estava o Guilherme e a Lisiane arrumando o caminhão para receber os ciclistas. Na minha história de Audax não tinha visto
infra-estrutura semelhante e achei o máximo: um caminhão completo, com fogão, mesas, cadeiras, camas, até o compartimento para "visitas íntimas"...

A alegria sofreu um abalo ao tirar a sopa do carro. Estava começando a azedar. Tinha preparado a primeira etapa quinta-feira à noite, a segunda etapa foi sexta-feira durante o dia e, na véspera,
estava impecável e muito boa. O que eu não tinha previsto é que ela levaria muito tempo para esfriar (era um panelão com 30l de sopa), dando oportunidade para o processo de fermentação. Deveria ter
separado em potes menores e guardado durante na geladeira. Mas, é assim que se aprende.

No melhor espírito Audax, não fiquei abalado. As dificuldades surgem para nos ensinar, e seus ensinamentos são sempre muito úteis, desde que os entendamos. Bem, Lisiane e eu nos tocamos para o
supermercado de General Câmara, enquanto Guilherme arrumava um consumidor para a sopa azedada e limpava a panela. E, após algum tempo, nossa equipe já preparou uma segunda versão da sopa que foi
muito apreciada pelos atletas.

Começaram a chegar os atletas (se o Pexe não tivesse esta pressa toda teria ganhado um prato de sopa também, mas ainda não estava pronta quando passou), fomos servindo a sopa, junto com um pão
caseiro e, feito na hora, um pão de queijo.

Foi muito bom rever cada um. Estávamos informados das desistências, com muito pesar. Guilherme e eu queríamos estar juntos, conhecíamos cada metro do trech percorrido, havíamos apanhado já no Audax
400 e no 600, tínhamos uma idéia do que estava acontecendo. Assim, a chegada de cada atleta era motivo de alegria e de satisfação! E também a alegria de cada participante ao nos rever. Lembro muito
bem da prova de 600 quando, no mesmo ponto, encontrei os colegas Rubens e Graxa, juntamente com uma excelente sopa para alegrar o corpo e, por conseqüência, o espírito...

Existiram as dúvidas. Muitas dúvidas. Se chegariam no PC-7. Se teriam força e coragem de tocar adiante. Miguel e Kieling apareceram, nos informando de como estava o andamento dos participantes. E aí
começou a chover. E parou. E voltou. E veio para ficar. Mas os participantes todos decidiram voltar.

Fiz o acompanhamento dos atletas até o pesque-pague. Ultrapassava o Isac e o Mogens, depois parava para esperá-los passar. Fiquei impressionado com o que andam estas bicicletas, mesmo sob forte
chuva. Se esperava lá uns 5 minutos, já demorava para alcançá-los. Ver, em meio à chuva, as luzes branquinhas surgindo e as bicicletas passando é inesquecível.

No pesque-pague o Miguel me liberou para tocar até Santa Cruz para fazer a cobertura fotográfica de pelo menos parte da turma. Foi um privilégio. Ir ultrapassando os ciclistas, contando e
verificando que todos estavam tocando, foi muito jóia. Poder estar na chegada, registrando os momentos de emoção e de alívio, foi muito gratificante. Ainda mais porque pude ver que todos que
iniciaram esta perna também chegaram.

No dia seguinte, na formatura, foi outro momento especial, principalmente pela presença dos familiares. Tirei muitas fotos. Ao chegar em casa fiz a seleção das fotos, criei as legendas e mandei para
o Picasa. A Eloá, minha parceira, é jornalista e, com o seu apurado senso de humor, fez um belíssimo trabalho de revisão. Espero que gostes do resultado.

No mais acho que todos nós escrevemos um importante capítulo na história do ciclismo neste nosso querido país!

Um abraço,

Rolf
(super randonneur, fabricante de barrinhas de cereal, cozinheiro e fotógrafo)