sábado, 2 de janeiro de 2021

Lista de Inscritos Breve 200 e Desafio 100 km

 

Breve 200km

Alexandre Luís de Jesus

Fabricio wisniewski

Fernando Henrique Mossmann

Janaina Drescher

Juliano moraes couto

Lislei Janine Schünke

Marcelo Bueno

Paulo Gustavo Sehn

Railander Isac Salomão Leiria

Ricardo zanini santana

Rodrigo Roberto Britto

Tânison Chaves Pereira

ALEX RICARDO RAMOS

Anderson Abarno

CLEITON Berton

Gabriel Machado parcianello

Guilherme Bastos

Marco Aurélio Costa de Christo

ricardo leonardo amaral preussler

TAMIRES AQUINO DE OLIVEIRA

NA LOJA

Charles Adriano Sauter

Cristiano Leal Caprioli

Gabriel Dorneles dos Santos

Jonas Guilherme Schroeder

Juliana Dorneles Araujo

Mateus Pinto Gonçalves

Otavio Mandler de Souza

Roberto Inácio Backes

Vanessa Luana Sauter

Virlei Alberto Hatje Audax

 DESAFIO 100Km

Adriana Neutzling

Clair Teresinha Werberich

Luciane Lanção

Rogerio Ivan Hein

Rossano Becker

Atualizado dia 30 de dezembro de 2020



Audax BRM 200 e Desafio 100km de Asfalto


BREVET 200KM
Prova de ciclismo de longa distância, não-competitiva, promovida pelo clube Audax Santa Cruz.
Brevet Randonneur 200KM
Santa Cruz do Sul – RS
Data: 10/01/2021
Largada e chegada: UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul – RS – Avenida Independência, 2293)
Horário largada: 06h

Inscrições e depósitos Brevet de 200km

- até 05/01/2021 - R$160,00

1 - Inscrição somente será considerada após envio do formulário preenchido e do comprovante de pagamento até a data limite de 05 de janeiro.

2 - Inscrições fora do período não serão consideradas e os valores devolvidos.

3 - Na Luiz Faccin Bicicletas as inscrições serão aceitas até dia 06/01/2021.
4 - Jovens de 16 e 17 anos podem participar do evento somente acompanhados dos pais.

Percurso: https://ridewithgps.com/routes/34686200

 Brevet Randonneur válido pelo calendário Randonneurs Brasil e Audax Clube Paris:

Regulamento dos Brevets Randonneurs Mundiais:
http://www.randonneursbrasil.org/regulamento-brm/

Itens obrigatórios:
-Capacete
-Colete refletivo de boa qualidade
-Luz dianteira fixada na bike e em funcionamento
-Luz traseira vermelha utilizada no modo contínua.

 Premiação: Medalha, certificado e homologação Randonneurs Brasil e ACP
Todos os participantes estarão segurados por seguro de acidentes para o dia do evento.

 Cronograma
Dia 09/01/2021 (Sábado)
17h45 - Entrega dos kits da prova - Campus UNISC Santa Cruz do Sul
18h - Reunião técnica no Campus UNISC de Santa Cruz do Sul
Dia 10/01/2021 (Domingo)
05h - Entrega dos kits da prova e café da manhã - Campus UNISC de Santa Cruz do Sul
05h30 - Concentração e aquecimento
05h30 - Vistoria
06h - Largada
19h30 - Prazo máximo de chegada.

 


DESAFIO 100KM
Data: 10/01/2021
Largada e chegada: UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul – RS – Avenida Independência, 2293)
Horário largada: 7h

Desafio 100km -


- de 19/12 até 05/01/2021 - R$120,00

1 - Inscrição somente será considerada após envio do formulário preenchido e do comprovante de pagamento até a data limite de 05 de janeiro.

2- Inscrições fora do período não serão consideradas e os valores devolvidos.

3 -Na Luiz Faccin Bicicletas as inscrições serão aceitas até dia 06/01/2021.
4 -Jovens de 16 e 17 anos podem participar do evento somente acompanhados dos pais.

 Desafio 100km -

Percurso: https://ridewithgps.com/routes/34724819

Itens obrigatórios:
-Capacete
-Colete refletivo de boa qualidade
-Luz dianteira fixada na bike e em funcionamento
-Luz traseira vermelha utilizada no modo contínua.

 

Premiação: Medalha, certificado.


Todos os participantes estarão segurados por seguro de acidentes para o dia do evento.

 

Cronograma
Dia 09/01/2021 (Sábado)
17h45 - Entrega dos kits da prova - Campus UNISC Santa Cruz do Sul
18h - Reunião técnica no Campus UNISC Santa Cruz do Sul
Dia 10/01/2021 (Domingo)
05h - Entrega dos kits da prova e café da manhã - Campus UNISC de Santa Cruz do Sul
06h30 - Vistoria, concentração, aquecimento
07h - Largada
14h - Prazo máximo de chegada Desafio 100km

 

A prioridade da organização é o atendimento dos ciclistas que estarão na estrada.

Informações e contato:
51-3713-2281 (Luiz Faccin Bicicletas)
51-99658-1974/51-99857-1990/51-99930-4258 - (Organização)
e-mail: audaxsantacruz@gmail.com
blog: audaxsantacruz.blogspot.com.br

Organização: Audax Santa Cruz/ Audax Bresil 

 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Relato paris Brest Paris 2007- Luiz Maganini Faccin

 Paris Brest Paris 2007.

Relato Luiz Maganini Faccin

    Largada às 21h e 30 minutos do  dia 20 de agosto. Larguei no primeiro grupo. As largadas de cada grupo  aconteciam a cada 20 minutos. O Erich e o David largaram no mesmo grupo e os demais brasileiros nos posteriores. Não conseguimos largar todos juntos porque dividimos o grupo, uns foram jantar e outros ficaram cuidando as bikes. A fila para a janta estava muito grande e demoramos para voltar.

    A emoção da largada. Estávamos na rua em frente ao ginásio para o tão esperado momento, caia uma chuva fina, fogos de artifício, discurso em francês com orientações aos participantes, contagem regressiva, buzina. Lentamente os ciclistas mais a frente vão se movendo até que chegou a minha vez de girar os pedais e passar em baixo do pórtico para poder falar a min mesmo: aconteça o que acontecer, agora já pedalei um PBP, já é uma coisa grande e boa estar aqui, espero poder pensar o mesmo na chegada.     Um misto de alegria e de esperança, eu estava lá, depois de tanto tempo, eu estava lá. Pude ver o Lacerda, a Nadia e a Elvira entre as centenas de pessoas que estavam na calçada e gritei alguma coisa para eles. Não estava preocupado,nem com medo, mas preparado para enfrentar 4 dias difíceis e uma primeira noite longa. Larguei gripado e a cada PC ou sempre que possível eu mastigava uma pastilha de vitamina C 120 mg, ao todo foram 24 unidades.

Primeira noite com chuva, mas sem muito frio, como tinha dormido pouco nas noites anteriores, fiquei com sono das 5h ate as 16h deste dia. Choveu muito ao meio dia. Pedalei mais com o Jorge, português que pedalou o quinto PBP e a Silvie que é francesa e também  estava com a camisa do Brasil. O Jorge com o seu sotaque inconfundível sempre estava orientando, conversando e localizando eu e a Silvie. As orientações eram interessantes e serviam para dizer a melhor posição no pelotão conforme o lado do vento, a quantidade e o tamanho dos ciclistas a frente, estratégias para economizar energia. Não andávamos rápido demais, mas em um ritmo bom, um ritmo para ir longe. Alcançamos o David que estava mais a frente, andamos alguns minutos juntos, mas logo nos perdemos de vista na escuridão e nas centenas de luzes da imensa fila de ciclistas. Depois o Erich nos alcançou e andamos juntos durante algum tempo e não sei onde nos desencontramos.

    Gostei muito de passar em Logni Au Perche e principalmente de ver a igreja iluminada na madrugada, foi muito rápido, não podia olhar, tinha que prestar a atenção nos ciclistas a frente. Deu vontade de parar, mas foi a primeira amostra das dezenas de igrejas e belas vilas por onde passaria nos próximos dias e noites.

    Paramos para almoçar no PC e quando fui descer uma escada molhada caí, bati o cotovelo esquerdo, braço direito e as costas. Sorte que eu estava com gel, luvas e carteira no bolso da camisa e protegeu um pouco. Saí na rua, no estacionamento de bike, na chuva, com dor e pensei em ir para a enfermaria do PC, mas iria perder tempo, melhor nem olhar, até o final do “Audax” devia estar curado. No estacionamento, veio um casal francês falar comigo. Eles perguntaram de onde eu era, etc. e pediram o meu autografo. Estavam com um cartão postal com assinaturas de tudo que é tipo, inclusive em japonês, escrevi meu nome, o país e dei um adesivo do Brasil para eles. Saí mais animado depois desta conversa, mas perdi o contato com o Jorge e a Silvie.

    No começo pedalávamos sempre no vácuo dos outros ciclistas e se forma uma fila interminável. Mesmo depois você sempre encontra outros para andar junto, se for o caso reduz o ritmo e fica em outro grupo. Nos PCs tem comida boa e barata, mas um pouco de fila. O pior são os japoneses que não entendiam nada a atrasavam um pouco, no retorno e dependendo do horário quase não existiam filas, ou  uns 2 ou 3, e as filas eram para banho. Só tomei banho um em Loudeac na volta. 

  Sai  do PC de Tinteniac, km 365, andei uns 8km e o núcleo do k7 começou a falhar, até que não pegou mais. Bati e ele funcionou. Andei mais de 40 km sem parar de pedalar, freando na decida e pedalando sem parar na subida. Tive que parar para urinar, mais uns 15 minutos e o núcleo engatou, assim eu fui, e fiz muitas vezes, haja paciência. Chovia, como chovia quase sempre, e um italiano me alcançou, sofri, mas consegui conversar com ele, quase só falava francês, ele era de Bergamo e ficou apavorado quando o núcleo falhou novamente! Perguntava o que eu iria fazer e eu só disse, deve andar, vou girar até firmar, depois disto parei mais umas 4 vezes. Estava cansado e não conseguia manter sempre a corrente esticada e girando. Cada parada, um desânimo a mais, estava pensando na possibilidade de desistir e me preparando psicologicamente para isto. Parei em uma vila muito linda, algumas crianças e um senhor vieram me ajudar, mas não havia o que fazer. Estava desistindo, parei alguns minutos, tentei mais algumas vezes, e nada, mais algumas, e engatou, segui. Em alguma vila perguntei quantos Km até Loudeac, resposta: 14 km com duas subidas. Os franceses sempre respondiam incluindo informações sobre as próximas subidas, ou sobre a atual, mesmo sem perguntar. Mais 14 km, estava ainda muito longe e demorou muito, não sei quantas vezes parei. Mais de 75 km e cheguei no controle de Loudeac. O Lacerda que fazia um apoio voluntário ao nosso grupo, estava lá desolado, tinha batido o carro alugado para fazer o apoio. Eu estava querendo desistir, assim não tinha graça, mas acho que ele estava pior do que eu e tive que dizer que o carro a gente acertava depois e agora tinha coisa mais importante a fazer? Talvez desistir!!

    Só iria desistir depois de comer e de dormir, e mesmo com o atraso eu tinha tempo, foi o que fiz. Dormi 3h e 30 minutos no carro. O Erich que tinha dormido me acordou, dizendo para não desistir e para irmos, mas eu tinha que acertar a bike! Disse: vai indo que eu vou decidir o que fazer. Comprei uma roda traseira por 58 euros, instalada na bike, peguei as coisas rapidamente, tomei café e sai para continuar na prova. Na realidade queria desistir mesmo, mas era muito legal passar por cada vila medieval linda e ver cada igreja, ver as pessoas torcendo na beira da estrada, lembrei do casal do autografo, de um senhor tocando gaita para os ciclistas na beira da estrada, das crianças abanando, das famílias com a mesa com queijo e vinho fazendo festa na frente de casa para ver os ciclistas. Não queria perder isto, e isto foi o que me motivou a sair em direção a BREST= só isto!

Cheguei no carro de apoio e o Lacerda estava dormindo com o carro chaveado e os vidros fechados. Queria deixar a roda substituída da bike, mas não consegui acorda-lo, acabei deixando a roda do lado do carro. Depois fiquei sabendo que a roda foi roubada!!

 Estava chuviscando e escuro e eu sai, andei 3km e furei o pneu traseiro, troquei a câmara de ar, não tinha nada no pneu. Andei mais 3 km e furei novamente o mesmo pneu. Voltei pedalando com o pneu furado ate o pc. Falei com o cara da loja de bike, mostrei a fita de raio onde tinha furado a câmara, comprei mais duas e sai, adivinha? Andei 5 km e o pneu furou de novo, voltei lá e, acredite se quiser, fui educado como um francês, mas aprendi a reclamar educadamente, disse que era a terceira vez que estava furando, que era na fita e que eu estava cansado. Ele trocou a câmara a fita de raio e não cobrou. Eu nem quis centrar a roda, estava torta depois de andar tanto com pneu murcho. O pneu e bom e não estragou. O pc  estava para fechar e eu sai atrasado e brabo e agora é que não desistiria, depois de ter sofrido tanto.
    Depois de Loudeac andei um tempo sozinho e ainda estava escuro. A lanterna de cabeça não funcionou mais. Um dos faróis caiu, o mecânico deve ter retirado e preso mal, juntei o farol para usar as pilhas para o outro, mas por incrível que pareça, ele funcionou.

 Pedalai com um grupo de espanhóis que andava bem, tinham ate treinador, equipe de 6 e tudo, eu andava só no vácuo, o trajeto tinha muita subida a andávamos a 20 km/h ou mais.
Chegamos no próximo PC (Carhaix) faltando 45 minutos para o fechamento e não demorei muito, os espanhóis ficaram lá furando a fila, conversando e comendo. O dia melhorou ( segundo dia) mas o vento muito forte e muita subida, vento de frente ou lateral. A previsão do tempo falava em vento de até 60 km/h e ele assoviava na bike, nunca tinha acontecido isto antes. Em uma parte do trajeto o vento era lateral, da direita para a esquerda e a estrada quase sem movimento de veículos. Comecei a andar seguindo para a esquerda, até chegar ao outro lado da estrada, depois retornava rapidamente para a direita e reiniciava o caminho para a esquerda, tentando tirar proveito do vento. Os canadenses não entendiam e deviam pensar que eu estava louco.

 Lia nos relatos do PBP que o pessoal caia e ficava dormindo na beira da estrada antes de chegar ao final do Paris Brest Paris, mas vi ciclista caído antes de Brest, que e a metade do caminho. Estava chegando a mais uma vila medieval, Sizun que tem uma igreja linda, uma subida, bares e lojinhas. Estava quente e os bares estavam cheios de ciclistas famintos, cansados, fedidos, alegres... Furei o pneu traseiro, mas desta vez foi um arame.
Parei no café, compre 2 sanduíches de baguete, água e café, sentei na escada em frente e fiquei comendo e observando tudo. Fui na lojinha do lado e comprei alguns postais da cidade, já que estava sem maquina fotográfica. Estava saindo quando lembrei que tinha que trocar a câmara de ar. Para chegar a Brest ainda era longe, sempre e longe depois de ter pedalado tanto, mais longe com vento contra.

    Estava chegando no Finistere e tinha muita subida. Alcancei um casal em uma tanden e perguntei se ainda faltava muita subida, pois via que a mulher tinha um gráfico com as altimetrias da prova e ela me respondeu: falta 4 km, mas depois tem 16 km de descida e comemorou. Pensei, se tem 16 km de descida na volta serão 16 de subida. A decida quase nem senti devido ao vento contra. Encontrei o David que estava parado na subida já retornando.
    A chegada em Brest com calor, vento foi emocionante, mais emocionante foi ver um senhor tocando gaita de fole da Bretanha para os ciclistas que passavam em uma esquina. Deu vontade de chorar e eu chorei mesmo,  nem sei porque, foi de emoção e foi bom. A ponte de Brest e linda, mas tem um vento lá em cima! Na chegada a Brest também vi um ciclista acidentado sendo atendido por uma ambulância.

    Em Brest, comi massa, molho, arroz, e deitei um pouco na grama e sol para descansar, enquanto o aro traseiro da bike era centrado. Antes de Brest o vento era tão forte que nem percebi que as sapatas do freio estavam encostando na lateral do aro traseiro torto. Paguei 5 euros pelo serviço e sai, mas nem andei e percebi que o aro estava torto como antes. Tinha pago por um serviço não realizado. Estava voltando para reclamar, mas iria perder tempo e soltei o freio traseiro e segui. Na saída de Brest e também em outras cidades enfrentei um engarrafamento de carros e com as ruas estreitas não conseguia ultrapassar. Como estava descansado queria aproveitar a andar mais rápido, mas o pior é que os carros estavam lentos devido a outros ciclistas que estavam pedalando na pista mais a frente. Alcancei os ciclistas com dificuldade, cruzei por eles e xinguei, em português é claro: se vocês estivessem no Brasil estariam perdidos! Ninguém deve ter entendido nada, ainda bem.

    Falando em transito agora faço um intervalo. Pedalar onde o ciclista é respeitado chega a ser estranho. Mesmo que os ciclistas estivessem ocupando toda pista, nenhum veiculo buzinava, salvo em raras exceções. Em muitos trechos, principalmente próximo a Brest pedalávamos em estradas sem acostamento e com transito de caminhões. A distancia de mais de 1m ao ultrapassar um ciclista sempre era respeitada. Algumas vezes havia ciclistas pedalando nas duas direções e havia encontro de veículos. O veiculo que vinha atrás freava e praticamente parava esperando o veiculo do sentido contrário passar, para somente depois, ultrapassar os ciclistas respeitando a distancia  lateral. Só por isto é que é possível realizar um evento de 1200 km com mais de 5000 ciclistas participantes.                                        

     Agora só faltava voltar, só isto? Parece fácil? O vento era a favor, ou lateral e eu andava no meu ritmo e o meu ritmo no plano era de mais ou menos 25 km/h, mas isto eu não tinha como ter certeza nunca, o velocímetro ficou sem pilhas no km 260. Eu estava sem velocímetro, e sem relógio, só perguntava as horas nos pcs e sabia o quanto de tempo tinha chegado antes do fechamento, era isto que importa!

     Depois de Brest havia algumas decidas mais fortes, em uma destas, estava no vácuo de uma bike reclinada aro 26, pedalando o mais rápido possível, quando escutei o som de algo cortando o ar. Fomos ultrapassados por uma bike reclinada com carenagem que devia estar andando a uns 110 km/h. Incrível!

     Rendia bem,  tinha muita subida pela frente,  mas não era tão forte e o vento a favor. Só no final a subida era mais forte.  No final da subida (16 Km)  tinha muitos carros e muita gente oferecendo água, banana, café, lembrava a volta da franca,  com menos gente e claro. Certo, talvez esteja exagerando um pouco. Comi banana e tomei café. Aquele é o melhor café porque você bebe quando está mais precisando. O senhor quando disse que era brasileiro pronunciou algumas palavras em português para, eu acho, ser gentil.

    Avistei um ciclista inglês, estava pedalando com uma bike de 1920, pedalava para trás e levava cebolas e alho preso ao guidão. Ele estava subindo mais a frente, dormiu pedalando e caiu na grama ao lado da estrada. Lembrava um saco da batatas no chão. Quando alguém gritou, ele acordou, levantou, sorriu, se limpou, subiu na bike e continuou pedalando, uma sena indescritível, engraçada e surreal.

Cheguei novamente em Sizun e parei para tomar um glace ( sorvete) e uma Coca Cola no Café du Centre. Gostei muito de Sizun, acho que foi também porque foi um dos poucos lugares no PBP que consegui fazer paradas para descanso com sol. O clima do lugar era de PBP.

    Cheguei a Carchaix, a chuva voltou. Fui na oficina de bikes e perguntei quanto custava para centrar o aro traseiro da bike, o senhor respondeu: rien! (nada em francês) perguntei novamente e ele respondeu: 2000 euros, disse para centrar a roda e fui comer. Jantei e comi o cardápio básico: sopa, arroz, molho e massa. Comprei café e uma lata de Coca Cola e coloquei no bagageiro da bike. Voltei para retirar a bike e perguntei quanto custava e o senhor respondeu: rien!  Não paguei nada e o aro estava bem centrado. Foi a salvação dos mecânicos de bikes franceses no PBP.

Conversei com um senhor francês que estava pedalando o oitavo PBP, ele disse que este foi o mais difícil, devido a chuva e o vento; ele estava no mesmo local que eu onde fomos nos esconder um pouco para passar creme contra assaduras nas partes mais afetadas.,

    Falando em assaduras vou abrir um parênteses aqui sobre o assunto. Neste momento, um dia depois do PBP, estou com a minha dolorida, mas não esta assada. Usei muito creme, troquei de bermuda uma vez, mas, principalmente, usei uma bermuda que comprei especialmente para o PBP. O valor de uma, no Brasil, é 400 reais, mas acho que para uma prova tão longa vale o investimento. Em Villaines La Juhel tinha um senhor,ciclista idoso, que estava bem na esquina, na rua movimentada em frente ao PC, com a bermuda abaixada, passando creme para assaduras.  Um outro ciclista chega, gritando e brincando, perguntava se a madame queria batatas de presente. Cada figura, mas foi importante, depois disto perdi um pouco da vergonha, para fazer algo parecido e passar creme, mas na calçada e atrás dos carros.

    Depois de Carchaix, de comer eu segui para o próximo PC e para enfrentar a noite. Estava motivado, mas consciente, sempre conseguindo chegar com um tempo de sobre nos PCS,  conseguindo pedalar bem e sem dor. O que sentia as vezes era a pressão baixa e a tortura/sono, mas aprendi a lidar com isto. A noite estava chegando, seria a terceira noite no PBP. A chuva forte veio antes do escurecer. Com a chuva e o frio o meu tendão de Aquiles da perna esquerda começou a doer, mas doía pouco é só quando estava mais frio. Avistei um carro de apoio andando no trajeto do PBP, o que é proibido.Provavelmente estava dando assistência a algum ciclista que talvez tivesse ligado pedindo um agasalho. Cheguei perto do carro de apoio e guardei o numero que era 0915. Pensei em denunciar, mas não é uma competição e fica na consciência de cada um saber como pedalou. Cheguei ao lado do carro e o passageiro olhou, mas não sei se era para ver o meu numero, ou pensando que eu fosse outro ciclista. Pensei que eles poderiam querer me prejudicar de alguma forma, reduzi a velocidade e deixei que fossem a frente. Na próxima vila o carro de apoio estava parado na praça.

Cheguei em Loudeac não sei exatamente o horário, mas devia ser quase 23h, pois só escurece as 22h e escureceu mais cedo devido a chuva forte. Chovia! Eu tinha tempo para dormir, mas aonde? Era aconselhável tomar um banho, mas até nem sentia tanta necessidade. Eu deveria comer. Estava precisando escovar os dentes novamente e isto sentia mais falta do que do banho. Cheguei no carro de apoio que estava lá no mesmo lugar. O Lacerda estava dormindo. Peguei o material para banho, a calça impermeável para uso no restante da prova, meias, etc.

    O banho era em uma espécie de vestiário da escola e estava quente. Eu comecei a sentir mais sono e os movimentos não estavam mais tão rápidos. Demorei para tirar a roupa. Na minha frente um canadense quase dormindo em pé, balançava, mas não caia, fechava os olhos, mas não dormia. O chuveiro era do tipo economize água, você tinha que apertar na válvula na parede e a água caia por um minuto e depois era preciso apertar novamente. O canadense escolheu justamente o chuveiro mais no centro da sala, mas a válvula ficava na parede. Ele apertava a válvula a voltava lentamente até chegar em baixo do chuveiro a água parava de cair. Ele fechava os olhos, abria e voltava até a válvula, apertava, chegava em baixo do chuveiro e a água parava de cair. Repetia novamente, sem deixar de fechar os olhos, balançar quase dormindo caindo e seguia para apertar a válvula. Eu estava quase terminando o meu banho quando ele resolveu escolher e trocar de chuveiro. Coloquei a roupa que iria pedalar no(s) outro(s) dia(s), escovei os dentes em uma pia imunda, voltei para o carro de apoio na chuva fria, mas vestia abrigo e calça impermeável. O carro de apoio estava na rua em frente ao pc que ficava a uns 400m do restaurante, chuveiros e dormitórios.

Fui para o restaurante comer alguma coisa. O restaurante estava lotado de gente dormindo. Comi algo a sai a procura de lugar para dormir. Dormitório cheio, sem vagas. Bancos, e qualquer outro local mais abrigado estavam ocupados. Eu e o Lacerda fomos até o restaurante novamente e ele fez várias fotos de gente dormindo. Não tinha outra opção e o melhor era dormir no carro novamente. Não sei o horário exato que dormi, mas pretendia acordar às 4h para sair com alguma folga de tempo. Coloquei o celular para despertar e apaguei.

    Acordei para o terceiro dia de PBP. O Lacerda, disse, tu tem tempo dorme mais uma hora e não se preocupa que eu te acordo. Acho que nem respondi e dormi. Acordei novamente, ou fui acordado, e está uma hora fez muita diferença, me sentia melhor. Fui para o café, comi algo, peguei a bike no estacionamento, ainda bem que deixei bem em um canto, senão não saberia onde estava entre as centenas de bikes. Chuviscava a estava escuro, passei creme gelado contra assaduras e sai.

Estava motivado e concentrado. Limpei os pensamentos e a única coisa era pedalar, ver a paisagem, curtir pequenos momentos e conversas no caminho. Estava bom estar pedalando o PBP. Não tinha noção exata do tempo, continuava sem olhar as horas e não me preocupava com a chegada, mas com pedalar no ritmo que seguia sem estar cansando, ver  lugares de dia que não havia visto antes, por ter passado durante a noite. Não sabia se era antes de ½ dia, ou de tarde, se era mercredi, jeudi ou vendredi. As minhas preocupações eram: não perder a concentração, não perder tempo, não estragar a bike novamente e não cair de sono com a chegada da noite. Também  me preocupava em evitar as assaduras. Já tinha quase uma rotina nos pcs e inclui mais algumas.

 Estava chegando em uma vila, mais uma vila medieval, está sei o nome, Lassay Les Châteaux. Pedalava e pedalava e olhei para o lado. Do outro lado de um lago estava um lindo castelo com 4 ou 5 torres redondas com telhados cônicos. Pensei: porque não peguei a maquina fotográfica? Atravessei uma ponte, entrei em uma vila com ruas de pedras, casas lindas, olhei a direita e havia uma lojinha de Souvenirs. Parei e enquanto olhava os cartões postais chegou uma senhora, perguntando de onde eu era, perguntando se era do Rio de Janeiro, desejando boa sorte. O dono da loja veio me atender e fazer perguntas, fiquei alguns minutos conversando. Disse que ali era lindo, que iria levar alguns cartões para mostrar a minha família por onde eu havia passado durante o PBP. Ganhei alguns cartões a mais de brinde, deixei mais alguns adesivos do Brasil e sai lembrando aquela parada. Como foi bom ter parado e como seria menos bom apenas ter apenas fotografado. Como estava  cada vez mais fácil falar francês. Como entendia melhor os franceses nascidos na França do que os imigrantes de Paris. Estava acrescentando emoção e não apenas pedalando. Estava chegando onde eu queria, estava cada vez mais perto do km 900 sem estar com dores e sem estar desmotivado.

 Estava sempre atento ao que estava sentindo e acontecendo. As vezes tinha quedas de pressão e em uma destas quedas eu resolvi parar e o Richardt me alcançou. Motivado e feliz gritou para eu pedalar. Ele estava motivado e consciente das dificuldades, mas não tão bem fisicamente quanto eu. Foi muito bom pedalar com ele por algum tempo, me motivei, falei alguma coisa em português e tinha um companheiro. Também foi muito bom os apoios do Denis e o Costa que nos pcs ajudavam , melhorando a moral, o que e importante. Chegamos e saímos juntos do PC de Tinteniac. Estava pedalando no meu ritmo, as vezes seguia algum grupo como um da Suécia. Antes de Fougeres deixei o Richard para trás quando ele parou em uma vila e eu segui com 2 espanhóis, 2 italianas, 2 franceses e um bando que foi se juntando atrás; As italianas pedalavam bem e ate puxaram a frente um pouco.  Conversei um pouco com elas, mas era difícil de falar italiano quando estava cansado. Não consegui trocar a língua. Passei pelo Jorge em alguma vila, mas não vi a Silvie. Disse para ele seguir junto que eu estava aproveitando a carona do grupo, mas ele ficou e não vi mais.

   Em Fougeres, comi bem, novamente não tomei café durante ou depois de comer, e deitei um pouco antes de sair, isto ajudou muito! Tinha medo de deitar a beira da estrada, dormir e não acordar, coisa muito comum neste PBP!!!! Deitando dava um tempinho para a digestão, descansava e deixava mais sangue ir para a cabeça. Comprei café e uma lata de coca cola, levava o café na garrafa de água no bagageiro.

 Usei muito pouco gel de carboidrato e apenas 2 doses de proteína/ hiper-calórico em Loudeac, na ida a na volta, um pouco de guaraná, suplemento alimentar normal; 3 comprimidos para dor, água só no reservatório da bolsa do quadro e mascava chicle para ajudar a evitar o sono.

Em Fougeres estava chovendo e depois disto também, mas confesso que as coisas ficam um pouco confusas. A sensação agora é que foi tudo tão pouco, ou tudo se limitou a repetição das pedaladas. Em um controle perguntei para uma senhora o horário que fechava o pc e depois perguntei que dia era hoje. Em outro PC uma francesa me fez perguntas em inglês e eu, um pouco irritado, fiz um discurso em francês. Disse que gostava da França e de estar falando francês mesmo sem falar bem, depois de ter estudado 2 anos especialmente para vir para o PBP. Disse que não sabia falar inglês e nem gostava da Inglaterra. Ela ficou me olhando meio assustada, mas eu estava falando a verdade. Conversei em francês com ciclistas de vários paises, muitos estudaram francês para ir a França. Uma Canadense me disse que conseguiu conversar com muitos outros ciclistas em francês, mesmo sem falar bem e que conseguiu conversar com poucos em inglês, mesmo falando bem a língua. A verdade é que os franceses são os que mais conversam enquanto pedalam. Acredito que para passar o tempo e também porque vêem no PBP uma grande oportunidade de entrar em contato com outros ciclistas.  Os franceses são os pais do ciclo-turismo e os que mais entendem de Paris Brest Paris. Encontrei vários que estavam pedalando o terceiro e para estes é uma coisa bem mais normal pedalar um PBP do que para os demais.

O importante era o seguinte, a noite estava chegando. Uma pedalando, outra dormi em Loudeac, mais uma em Loudeac novamente e eu estava na quarta noite de PBP, a ultima! Para dormir tinha que chegar com folga de tempo nos pcs. Para pedalar mais lento tinha que ter folga de tempo. Para ter folga em caso de pane na bike o mesma coisa. Estava mantendo, mais ou menos, o meu planejamento e os principais itens eram chegar com folga de tempo nos pcs, não parar muito tempo, evitar paradas desnecessárias, comer bem, beber, economizar energia, estar com a cabeça em dia,....

Pedalei, pedalei, encontrei uma ciclista da Dinamarca que já tinha conversado comigo e com o Jorge no primeiro dia, havia encontrado ela no PC de Tinteniac, conversei um pouco com ela, mas segui na frente no meu ritmo. Parei em alguma vila, onde estavam muitos ciclistas dormindo tomando café em um bar, tomei o meu café e Coca Cola, alonguei, comi um chocolate que tinha comprado no caminho em alguma das paradas do dia a segui. Muito legal parar no meio da madrugada, na chuva e ficar vendo os ciclistas passando, em fila, em silencio só o barulho das bikes e da chuva.

Muita subida e escuridão antes de Mortagne au Perche. Antes de alguma vila, depois de uma curva, em um lugar escuro, em frente a um casarão, avistei algo estranho, mas inacreditável. Havia muitos ciclistas parados, calculo uns 150, a rua estreita estava praticamente interditada, pensei que fosse um controle secreto, ou um acidente, mas estava mais parecendo uma festa, sem muita comemoração. Haviam uns 20 voluntários, em algumas mesas, que estavam servindo café, água e biscoitos aos ciclistas. Eu parei, perguntei se era um controle, um senhor me disse que não, fiquei uns minutos assistindo, não peguei nada, não fazia muito eu havia bebido café e tinha água. Mortagne não estava longe, mas como estávamos na ultima noite os ciclistas foram se juntando ali para comer e beber. Aquilo era como descrevi acima, uma festa a fantasia com fantasmas ciclistas bebendo café.Cheguei em Montagne au Perche a meia noite e 30 minutos. Carimbei  o ‘livrinho de rota”. Cada chegada nos PCs ( controles) eu alcançava o cartão magnético para o voluntário da mesa que passava no leitor. Era uma satisfação porque sabia que naquele momento alguém deveria estar no Brasil acompanhando a prova e sabendo: O Faccin chegou no PC de Mortagne au Perche. Estava feliz por saber que alguém estava torcendo por min.

  Deitei no chão perto da entrada ao lado de outros malucos. Não deitei dentro do restaurante porque estava muito quente a na rua estava frio. Não deitei no tapete e preferi o chão.

 Liguei o celular e pela primeira vez falei com a minha esposa durante o PBP, disse que faltavam só 200 km e que estava com tempo para dormir, mas eu iria conseguir.  Ela me falou que estavam dando  mais duas horas de tempo para chegar nos PCS, mas eu disse que não sabia disto e que não iria procurar saber, não deveria levar isto em consideração, não iria correr riscos, e chegar atrasado a algum PC. Só faltava mais um e a chegada.

 Dormi 15 minutos e acordei com frio, mas sem sono e bem mais descansado. Tomei café, comi algo e segui. Tinha folga de tempo, poderia dormir mais, mas  peguei mais café e Coca Cola e fui.

 Tinha muita subida novamente, chuva, e escuridão. O corta vento que comprei por 44 euros funcionou muito bem. Calça impermeável contra a chuva servia para me proteger do frio que na ultima noite representava ser mais intenso,  não sei se eu não estava mais fraco, ou o local mais alto era realmente mais frio. Sai de Mortagne praticamente sozinho, mas não demorei e alcancei alguns ciclistas e pedalávamos a alguns metros uns dos outros. Em um local com subida com poucas casas e muitas arvores e estrada escura cheguei a um grupo de mais ou menos 50 ciclistas que estava parado. Pensei: o que será agora? Um casal de franceses, que pedalavam com uma bike reclinada tanden, onde um ficava de costas para o outro, estava segurando os ciclistas para avisar que nos próximos quilômetros havia óleo sobre o asfalto e que poderia ser perigoso. Eles avisavam os ciclistas que estavam chegando. A mulher que era alta, bonita e tinha uma voz grave e suave. Para falar a verdade ela perecia um anjo dando alguma orientação divina, ou melhor dizer, era muito bom escutar uma conversa e acordei um pouco. Perguntou se havia algum francês e alguém se identificou como tal. Pediu para que ficasse ali por algum tempo segurando e orientando o pessoal  e ele respondeu que sim. O grupo saiu em um pelotão, que logo foi se espalhando e formando a tradicional fila de luzes na escuridão. Era estranho pedalar perto daquele objeto pedalante não bem identificado. Bom que o casal conversava bastante e eu acordava. Quando pedalava atrás a luz do meu farol dava bem no rosto da ciclista que vinha na traseira da tanden. Andei mais rápido e segui mais a frente.

O sono! Muito sono na ultima noite. Em alguns momentos, enxergava coisas na estrada que não existiam. Um poste branco e eu avistei um policial francês. Uma sombra no asfalto e eu avistei uma mulher. Balançava a cabeça e as imagens sumiam.

A luz da bike formava uma imagem redonda, as coisas cruzavam por este circulo como em um túnel, o túnel do tempo, um túnel de sono, algumas vezes desliguei o farol, mas o sono continuou. O café, a Coca Cola e a guaraná pareceram sem efeito, mas deve ter ajudado.

Antes de Bressoles havia uma bifurcação e eu e outros ciclistas paramos por duvida de por onde seguir. Na carta dizia seguir para Bressoles, mas não havia placa indicando este local. Não havia placa indicativa do PBP. O casal  da tanden reclinada chegou e o grupo já estava com uns 20 ciclistas, se eles conheciam o caminho, eu não sei, mas indicaram e fomos no caminho certo.

 Na realidade é possível pedalar o PBP somente seguindo as placas com as setas. No inicio quando a velocidade é maior as vezes você não vê as placas, mas é só seguir a grande fila de ciclistas. Depois é só seguir as placas, se não tem placa em um cruzamento é só seguir em frente até encontrar a próxima placa. Não tive problema com isto até este ponto. Alguém deve ter furtado a placa para levar de lembrança. Eu mesmo havia pegado uma placa destas, mas peguei a placa de Aller (ir) que não era mais útil e não a placa de Retour ( retorno) que é necessária para os ciclistas que ainda estão pedalando o PBP.

Estava chegando no horário do sono, para min o mais critico que é entre 5 e 6h da manhã, na ultima noite de um pbp. Algumas vezes fiz um zigue zague na pista, parei onde havia luz, bebia água, caminhei, mas não melhorei muito, mas segui. Um italiano de 46 anos, que eu nunca vi, me perguntou se não tinha alguma coisa ou se o PC era longe, não lembro, mas entendi bem e respondi em italiano e consegui. Acho que quem  estava respondendo era a minha alma! Andamos algum tempo perto um do outro, mas não tanto já que ele andava em zigue-zague bem maior que o meu.

 Cheguei em DREUX, ultimo PC era cedo e tinha tempo suficiente para fazer os mais 78km até a chegada. Era dia e era o ultimo dia do PBP, o quarto dia!

Dormi 15 minutos com a cabeça em cima da mesa e acordei com alguns franceses que estavam  comentando sobre algo pouco comum, ver a camisa do Brasil no PBP. Muito simpáticos estavam pedalando juntos o terceiro PBP. Conversei um tempo com eles e me avisaram que tinha mais 3 subidas fortes até a chegada. Tomei café, comi e  estava lento, perdi um tempo comendo, mas perdi mais tempo na fila do banheiro. Um ciclista ficou 15 minutos ocupando lugar apenas para passar creme contra assaduras, poderia ter feito isto na rua! Segui pedalando rápido por uns 30 km e depois chegamos em varias subidas em uma floresta e eu fui no ritmo normal sem muita pressa. Estava acabando o PBP. Estava com um misto de alegria e tristeza. Tinha passado tanto tempo, esperando, planejando e pensando e já estava acabando.

Cheguei  a uma planície chata e sem graça, mas talvez sem graça estivesse eu, mas não tinha muito o que ver.

 Nesta planície faltavam placas,  que foram roubadas com certeza, alguns ciclistas seguiram em direção errada. Eu parava e olhava e carta e as placas nas outras direções.

A emoção da chegada: estava acabando mesmo?

Faltavam uns 25 ou 30 km para a chegada e avistei 3 ciclistas dormindo na grama em uma esquina. Gritei, sem parar, mas não acordaram, fico pensando será que acordarão a tempo?

Próximo a chegada choveu de novo e eu me molhei, estava com a camisa do Brasil e queria chegar com ela, sem colocar o corta vento. Muitos semáforos fechados, gente torcendo a gritando e cheguei as 12h e 26minutos. O Lacerda e o César Barbosa estavam lá. O César me alcançou  bandeira do Brasil que eu fui segurando. Cheguei com outros ciclistas, alguns eram amigos do Jorge e estavam perguntando por ele, mas eu não tinha informações.

Fiquei um tempo no ginásio conversando com o pessoal, encontrei a Dinamarquesa e o marido, as italianas, outros italianos perguntando da prova, do Brasil, alegres. Que chulé naquele ginásio! Muitos ciclistas dormindo nas arquibancadas, descalços e com pés brancos. O Lacerda me levou de carro para o hotel, poderia ter ido pedalando, mas deixei a bike para o César. 

 Trecho do texto original escrito dois dias depois do PBP:

... muito comum ver ciclista em qualquer canto dormindo; a esta altura estou bem cansado de escrever e me desculpem os erros neste teclado francês. Não tenho certeza do nomes dos pcs e vou encurtar um pouco.

 : acho que a ficha do que e fazer o pbp so vai cair quando chegar no Brasil; O Marcelo Lucca me ligou e avisou que o Erich estava perto e fiquei feliz em saber que o Formiga e o Lazary tb tinham brevetado:

 

Cheguei no Hotel, tomei banho, comi algo e dormi algum tempo. Depois chegou o Lacerda com mais o Erich e outros foram chegando. Arrumei as tralhas.

 

 

 

 

 

 

 

O dia seguinte:

Depois do café fomos devolver o carro alugado para o apoio. Na volta avistamos 3 ciclistas. Uma mulher chorando, um outro arrumando a bagagem e um outros saindo. Eles ainda estavam na estrada retornando para Saint Quentin. Eles ainda estavam no Paris Brest Paris, devem ter dormido no caminho, ou simplesmente não haviam chegado a tempo, mas como a prova é sem apoio estavam na estrada.

 

Outros comentários rapidos

-    Lixo na estrada jogado por ciclistas, inclusive roupas e calçacos;

-    Avistei várias vezes carros de apoio escondidos nas estradinhas;

-   Alguns trechos da asfalto são ásperos e não são tão bons, como por exemplo, as estradas do audax 600 de Campinas. As estradas não são tão sujas como as do Brasil, mas independente disto vi muitos ciclistas com pneus furados.

-          Avistei muito ciclista parado telefonando na beira da estrada;

-          O Paris Brest Paris tem muita subida e dizer que o percurso é plano não é 100% certo!

 

 Outros!

 

Seqüelas:

Dia seguinte:

Pés inchados, fiquei deitado apenas uns 45 minutos durante todo o PBP.

Perda de peso, dias depois  estava me alimentando normalmente, mas perdi peso e barriga. Durante o PBP não senti isto porque me alimentei bem.

Inchaço das mãos nos dias seguinte, principalmente a mão esquerda;

Perda de sensibilidade/tato nos dedos da mão esquerda, hoje dia 08 de outubro, ainda não estou com a sensibilidade normal em 3 dedos da mão esquerda que doem com água fria ou quente.

Bursite no cotovelo do braço esquerdo, devido ao tombo na escada no almoço do primeiro dia. Em tratamento com anti-inflamatório e gelo.

Dor nos joelhos, principalmente no esquerdo e mais no final do dia quando fico muito tempo em pé. Sinto também um pouco de dor no joelho direito o que não sentia antes. Barulho no joelho direito quando subo escadas, o esquerdo já fazia antes. Em tratamento preventivo a 2 meses, depois de consulta médica. Cartilagens dos joelhos gastas devido a :

desgaste normal;

genética

carregar excesso de peso e esforço nos joelhos;

provavelmente de subir muita escada e de ficar muito tempo em pé;

 

 Talvez por ter participado de corridas de aventuras e correr com tênis sem amortecedor de impacto, ou subir pedalando e forçando muito, usando marchas mais pesadas e girando pouco.

 

 Idéias para 2011

-para participar de um PBP precisa;

-dicas para quem pensa em ir:

traduzir texto italiano-

 

Para quem quer ir ao PBP 2011

1-   Faça uma poupança e deposite um valor mensal. Economize para a viagem. Faça isto mesmo que você tenha condições de ir  sem precisar fazer economias. O dinheiro continuará sendo seu e depois você poderá decidir se vai.

2-   Pedale os eventos Audax. Adquira experiência. Pedale no mínimo até o audax 400 em 2008 e nos anos seguintes o maior numero de eventos possíveis. 

     Sempre que possível participe dos eventos longe da sua cidade;

     Pedale as provas mais difíceis;

      Tente pedalar pensando como se estivesse pedalando 1200 km. Adquira um bom ritmo de pedalada a treine mentalmente;

    Não desista. Se você desiste em um avento de 200 km com certeza vai desistir no 1200.

3-   Leia muito e estude tudo o que precisa saber para pedalar um 1200. Se possível fale com quem já pedalou, anote o que ele falou

4-   Cuide da saúde. Comece agora fazendo o que precisa, cuidando da alimentação, redução de peso se for o caso, etc.

      Faça o Paris Brest Paris 2011 ser um objetivo que sirva para melhorar a tua qualidade de vida, que sirva de estimulo para melhorar de saúde. Você vencerá mesmo sem ir, mas não desista, persista.

5-   Não anuncie que você pretende pedalar o PBP 2011, não torne isto uma obrigação, ou objeto de cobrança dos companheiros de pedalada. Você não é obrigado a ir, ninguém é!

    Você não precisa dar satisfação aos pessimistas e aqueles que nunca irão pedalar 1200, mas por isto pensam que você também não vai.

6-   Acredite em você mais do que os outros acreditam, mas saiba dos seus limites. Os treinos para o 1200 não são para pegar preparo físico, mas para criar confiança e para poder planejar a longa jornada.

7-   Planeje o 1200 com mais de 2 anos de antecedência. Descubra o que você precisa para pedalar o 1200 e o que ainda falta para você conseguir.

8-   O Paris Brest Paris de 2011 está muito longe e até lá você poderá estar: casado, separado, com filhos, grávida, apaixonado, trabalhando em outra empresa, morando em outra cidade. Ter uma vida estável pode ser importante.

9-   Se você não tem certeza de que quer completar o PBP. Se você está confuso, doente, cheio de problemas pessoais, familiares, depressivo, prepare-se para passear em Paris. Você tem até 2011 para resolver os problemas e preparar-se para pedalar 1227 km  em até 90 horas.

10-Para pedalar 1200 km você precisa antes de tudo de tempo.

     Tempo de até 90 horas;

     Tempo para treinar;

     Tempo para viajar;

     Tempo em cima da bike.

É tudo uma questão de tempo, você tem?

 Relatos anteriores;

Treinamentos, expectativa e tendinite. Fator psicológico e espera.

 

1-Agradecimentos

/objetivo do relato/

Exemplo da Italia

2-Semana antes da ida e expectativa

3-Em Paris

4- Sobre o extravio da bike

 

Como comentado anteriormente. A minha bike, melhor dizer, mala bike, foi extraviada, no vôo de ida para Paris, provavelmente no aeroporto de Milano. Chegamos a Paris dia 12 de agosto e a minha bike só chegou no dia 17 a tarde.

Não fiquei tão preocupado porque:

1-    Tinha lido em algum guia que: nos aeroportos da Europa, quando uma bagagem é extraviada geralmente é encontrada. Só me preocupava que ela não chegasse a tempo do Paris Brest Paris;

2-    Tinha seguro de viagem de até 1000 euros. Quase o suficiente para comprar outra bike lá na Europa;

3-    Porque comprei outra bike. O Jorge se ofereceu no dia 14 para ir comigo comprar uma bike em uma loja na sua cidade. Dia 15 era feriado na França. Dia 16 teria que ir de trem ou ônibus e teria muita dificuldade para encontrar uma boa loja de bikes. Aproveitei a oportunidade e para qualquer coisa teria uma bike garantida.

4-    Com a nova bike, que foi a mais semelhante com a minha que encontrei, teria algumas preocupações. Todas as dicas para se pedalar longa distancia dizem que o ciclista deve estar bem adaptado e acostumado com a bicicleta.

-          Tinha salvos na outra bagagem, os pedais, sapatilhas, bar ends, espelho, selim e canote, bolsa de selim, bagageiro, pneus e faróis;

-          Tinha pedalado um Audax 200 km de Monareta para treinar para o 1200. Estava acostumado a pedalar com uma mountain bike;

           Com uma outra bike provavelmente seria mais difícil, mas as minhas possibilidades de concluir o Paris Brest Paris seriam praticamente as mesmas.

 O maior transtorno de estar sem a bike foi a perda de tempo para comprar outra, para pedalar com a bike a fim de se acostumar com ela, para transferir as peças para a bike original novamente. Deixei de pedalar em Paris, deixei de visitar mais vezes Paris, mas ao mesmo tempo conheci melhor o Jorge Martins e a esposa Mamete. Também foi bom porque aprendi a lidar com mais uma situação adversa, e ainda, porque não precisei carregar o mala bike por estações de trem e metro, já que recebi lá no hotel.

 Luiz Maganini Faccin- Outubro de 2007.