Falsos Brevets Audax
1-O que é brevet
Brevê ou brevete[1] (do francês brevet) é um documento que dá ao seu titular a permissão para pilotar aviões. Tem a vertente civil e militar. Pode ser comparado a uma carta de condução, ou a uma carta de marinheiro, pois consoante a categoria dos aviões (lotação, passageiros/carga, etc.) é necessária uma determinada categoria de brevet. Tem que ser renovado também consoante a idade do titular. Tal como nos outros documentos, pode ser usado em nível profissional (pilotos comerciais da aviação civil, pilotos privados, etc.) como em nível amador: indivíduos que exerçam profissões não relacionadas com a pilotagem mas que a usam como um hobbie.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brevê
Brevet: titulo ou diploma deliberado por etapas, permitem ao titular de exercer certas funções e certos direitos. Brevet de invenção, brevet de capacidade e outros. ( fonte: Le Robert Micro- Dictionnaire de La Langue Française- Poche-édition 2006)
No site Randonneurs Brasil você encontra uma definição mais especifica para o caso dos Brevets Randonneurs Mundiais(BRM).
http://www.randonneursbrasil.com.br/regulamentos/23-o-que-e-brevet
No caso dos brevets Audax a definição é semelhante aos BRM, pois pode ter um alcance e validade diferente conforme a modalidade de Audax, mas nem vem ao caso no momento pois o que interessa mesmo é saber que:
Brevet é um diploma, uma garantia.
2-O que é Audax
Para saber mais:
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/audaxes.html
http://audaxsantacruz.blogspot.com/2011/10/audaxes-mais-informacoes.html
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/primeira-medalha-audax.html
3-O que é preciso para um evento ser um brevet?
Agora já se sabe o que é brevet e o que é Audax.
Como saber se um evento é um brevet Audax?
Para ser uma garantia, um diploma é preciso ser válido;
A)Para valer o evento deve estar no calendário oficial dos brevets.
Se for Audax no calendário dos Brevets Audax que são homologados pela UAF
Veja em:
http://audaxbresil.blogspot.com/search/label/calendario
Atenção com os brevets de Audax Caminhada que são adicionados no calendário a cada mês e não anualmente!
Se for um Brevet Randonneur, no calendário dos Brevets Randonneurs Mundiais realizados no Brasil e homologados pelo Clube Audax Paris (ACP)
Veja em:
http://randonneursbrasil.com.br/calendariodebrevets/25-calendario2012
B)Para valer o evento deve estar de acordo com o regulamento da modalidade ( vamos falar apenas de ciclismo para facilitar).
Regulamento Audax Ciclismo:
http://audaxbresil.blogspot.com/2009/01/regulamento-audax-ciclismo.html
Regulamento dos Brevets Randonneurs Mundiais:
http://www.randonneursbrasil.com.br/
Brevet Audax Falso
É qualquer evento que não esta no calendário da devida modalidade, ou não esta de acordo com o regulamento desta mesma modalidade. OBS: o nome Audax deveria ser utilizado apenas para definir os brevet homologados pela UAF.
Um evento que não esta no calendário dos brevets ( Audax ou Randonneur) não é um brevet, pois não da garantia de participação no brevet seguinte e não é/será homologado. O mesmo acontece em relação ao nome Audax ( ou Randonneur) pois não pode ser considerado como tal sem ser um evento oficial e constar no calendário e seguir o regulamento.
Portanto, não existe Audax individual, não existe brevet Audax ou Randonneur de 200 km a ser concluído em até 15 horas. Isto não depende da opinião do representante ACP ou UAF porque estes são os responsáveis por zelar pelos devidos regulamentos.
Se você vai pedalar um evento
1-Saiba do tipo de evento que vai participar e não se deixe enganar;
2-Não aconselho a participar deste tipo falso de evento pois utilizam a imagem e o trabalho realizado pela organização dos eventos oficiais;
3-Se um evento é vendido como oficial sem fazer parte do calendário é no mínimo propaganda enganosa e este tipo de “organizador” não deve ser confiável.
Motivos para não realizar um evento oficial ACP ou UAF
Os únicos motivos que consigo anotar são:
- ignorância sobre o que realmente é cada coisa. Vale lembrar o velho ditado: “de boas intenções o inferno esta cheio”;
- para não pagar o valor das homologações- leia-se ganância. Veja o valor que foi cobrado por cada homologação nos últimos anos:
http://randonneurs-brasil.blogspot.com/2011/03/contas-2010-por-clube.html
http://randonneurs-brasil.blogspot.com/2011/01/totais-brasil-2010-homologacoes-brevet.html
http://randonneurs-brasil.blogspot.com/2009/12/contas-2009-por-organizador.html
O valor pago por cada homologação nos últimos anos foi de 45 centavos de euro e mais algumas taxas e custos anuais por organizador- realmente isto deve ser um valor demasiado para um organizador que cobra R$90,00 ou mais por uma inscrição.
Audax que não é Audax e não é falso, justamente por isto.
Veja alguns exemplos.
Audax4- organização de eventos esportivos:
http://www.tyaraju.com.br/clientes/audax4.com.br/
O nome Audax4 é apenas um nome fantasia e em nenhum momento é feito alusão ou citação de, regulamento Audax, ciclismo de longa distancia, brevet, Randonneur, LRM, BRM, ACP, UAF, representante ACP...
Industria
http://www.audax-quimica.com.br/
Audax São Paulo Futebol Clube
http://www.paec.com.br/
Banda Audax
http://www.bandaaudax.com.br/
Nenhum organizador é impedido de organizar o evento que seja, pedalado onde quiser, quando, inventar uma modalidade como quiser.
Nada justifica usar indevidamente o nome de uma modalidade, vender um produto como sendo outro a não ser a falta de seriedade.
O ciclista pode e deve pedalar o evento que quiser, deve pedalar apenas porque gosta, mesmo sem estar participando de um evento, mas não deveria servir de avalista e patrocinar este tipo de evento falso.
Torça pelo Audax Futebol Clube, escute a Banda Audax, participe da corrida Running Audax, compre produto da Audax Quimica, contrate o escritório de Contabilidade Audax, mas estude o que é Audax Ciclismo, Caminhada e não aceite pirataria.
Os maiores falsificadores são ex-organizadores ou praticantes da modalidade por incapacidade para fazer a coisa de maneira correta.
Luiz M. Faccin
Outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
Audaxes Mais informações
Randonneur- pessoa que faz randonneé, não precisa exatamente ser ciclista;
Randonneé- palavra de origem francesa que significa passeio de longa distancia/ longa duração
O nome correto dos brevets organizados conforme o regulamento da ACP- Audax Club Parisien é Brevets Randonneurs Mundiais ( BRM) nestes brevets o andamento é livre e nestes o ciclista pode estar solitário como bem descreve o texto.
Os brevets conforme o regulamento da UAF- União dos Audax Franceses são os AUDAX.
São pedalados em grupo/ pelotão e com a média de 22,5 km/h
Nestes não existe o ciclista solitário, mas mais ciclistas solidários.
Existe também Audax Marcha=caminhada, natação, remo, esqui e ciclismo especifico para jovens ( inclui crianças)
O termo Audax, devido à confusão em relação ao Nome do Clube Audax Paris, foi e é utilizado para chamar os brevets Randonneur Mundiais aqui no Brasil, mas estes brevets não são conforme o Formula Audax dos brevets Audax da UAF.
Os dois clubes, ACP e UAF, tiveram a mesma origem e se separaram definitivamente em 1921 depois de muita disputa. Cada um seguiu uma formula.
Os BRM são praticados em 41 países
Os Audax ainda não em tantos= países da Europa, Austrália a Brasil.
Em 1891 surgiu o Paris Brest Paris e é o evento ciclístico mais antigo do mundo ainda realizado, mas era competição naquela época. Os brevet surgiram em 1904 e foram criados por Henri Degrange, o mesmo criador do Tour de France.
O Paris Brest Paris Audax é realizado a cada 5 anos e organizado pela UAF;
O Paris Brest Paris Randonneur é realizado a cada 4 anos e organizado pela ACP e FFCT ( Federação Francesa de Ciclo Turismo). A FFCT é uma organização maior da qual a ACP e UAF fazem parte. A FFCT tem mais de cento e vinte mil ciclo turistas associados com as anuidades em dia, mas isto são curiosidades para outra oportunidade.
Em 2011 tivemos dois PBPs ( Paris Brest Paris) o Audax e o Randonneur. Nem precisaria repetir, mas:
Audax organizado pela UAF e pedalado em grupo com média de 22,5 km/h e paradas programadas, com hora marcada. Presença de centenas de ciclistas.
Randonneur organizado pela ACP com andamento livre e presença de milhares de ciclistas.
Geralmente a gente escreve a palavra Audax, mas poderia substituir por brevet sem distinguir a diferença entre uma modalidade e outra.
Quando se usa uma foto de um ciclista solitário, não pode ser uma foto de Audax e sim de um BRM. Quando se fala em solidão na madrugada, não se esta falando de um brevet Audax e sim de um brevet Randonneur de andamento livre.
Vamos a uma frase:
“Audax esta presente em todos os continentes perfazendo mais de 40 países”.
A palavra Audax na frase não está correta por identifica uma modalidade. Se substituir por os Brevets Randonneur Mundiais a fase fica certa, mas tem a opção de usar, Os Brevets estão presentes em todos os continentes...
A frase fica correta pois não identifica diretamente a modalidade. Tanto Audax e BRM, são brevets.
Para saber mais:
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/audaxes.html
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/primeira-medalha-audax.html
Luiz M. Faccin
Março de 2011
Publicado originalmente no blog randonneursbrasil.blogspot.com
Randonneé- palavra de origem francesa que significa passeio de longa distancia/ longa duração
O nome correto dos brevets organizados conforme o regulamento da ACP- Audax Club Parisien é Brevets Randonneurs Mundiais ( BRM) nestes brevets o andamento é livre e nestes o ciclista pode estar solitário como bem descreve o texto.
Os brevets conforme o regulamento da UAF- União dos Audax Franceses são os AUDAX.
São pedalados em grupo/ pelotão e com a média de 22,5 km/h
Nestes não existe o ciclista solitário, mas mais ciclistas solidários.
Existe também Audax Marcha=caminhada, natação, remo, esqui e ciclismo especifico para jovens ( inclui crianças)
O termo Audax, devido à confusão em relação ao Nome do Clube Audax Paris, foi e é utilizado para chamar os brevets Randonneur Mundiais aqui no Brasil, mas estes brevets não são conforme o Formula Audax dos brevets Audax da UAF.
Os dois clubes, ACP e UAF, tiveram a mesma origem e se separaram definitivamente em 1921 depois de muita disputa. Cada um seguiu uma formula.
Os BRM são praticados em 41 países
Os Audax ainda não em tantos= países da Europa, Austrália a Brasil.
Em 1891 surgiu o Paris Brest Paris e é o evento ciclístico mais antigo do mundo ainda realizado, mas era competição naquela época. Os brevet surgiram em 1904 e foram criados por Henri Degrange, o mesmo criador do Tour de France.
O Paris Brest Paris Audax é realizado a cada 5 anos e organizado pela UAF;
O Paris Brest Paris Randonneur é realizado a cada 4 anos e organizado pela ACP e FFCT ( Federação Francesa de Ciclo Turismo). A FFCT é uma organização maior da qual a ACP e UAF fazem parte. A FFCT tem mais de cento e vinte mil ciclo turistas associados com as anuidades em dia, mas isto são curiosidades para outra oportunidade.
Em 2011 tivemos dois PBPs ( Paris Brest Paris) o Audax e o Randonneur. Nem precisaria repetir, mas:
Audax organizado pela UAF e pedalado em grupo com média de 22,5 km/h e paradas programadas, com hora marcada. Presença de centenas de ciclistas.
Randonneur organizado pela ACP com andamento livre e presença de milhares de ciclistas.
Geralmente a gente escreve a palavra Audax, mas poderia substituir por brevet sem distinguir a diferença entre uma modalidade e outra.
Quando se usa uma foto de um ciclista solitário, não pode ser uma foto de Audax e sim de um BRM. Quando se fala em solidão na madrugada, não se esta falando de um brevet Audax e sim de um brevet Randonneur de andamento livre.
Vamos a uma frase:
“Audax esta presente em todos os continentes perfazendo mais de 40 países”.
A palavra Audax na frase não está correta por identifica uma modalidade. Se substituir por os Brevets Randonneur Mundiais a fase fica certa, mas tem a opção de usar, Os Brevets estão presentes em todos os continentes...
A frase fica correta pois não identifica diretamente a modalidade. Tanto Audax e BRM, são brevets.
Para saber mais:
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/audaxes.html
http://audaxbresil.blogspot.com/2010/09/primeira-medalha-audax.html
Luiz M. Faccin
Março de 2011
Publicado originalmente no blog randonneursbrasil.blogspot.com
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Calendário brevets 2012
Esta disponível no site:
http://randonneursbrasil.com.br/
o calendário 2012 dos brevets Randonneurs série 2012
Santa Cruz do Sul terá apenas um brevet 200km e uma Fleche
Brevet 200km - 26/11/2011
Santa Ciclismo - http://www.santaciclismo.com.br/
Responsável: Marco Antonio Valim
Fleche - 06/04/2012
Santa Ciclismo - http://www.audaxsantacruz.blogspot.com/
Responsável: Luiz M. Faccin
Local de chegada: Faccin Bicicletas- Santa Cruz do Sul, RS.
Existe ainda o calendário dos brevets Audax que esta disponível em:
Ver aqui!
Onde teremos mais brevets em Santa Cruz do Sul.
Confira!
http://randonneursbrasil.com.br/
o calendário 2012 dos brevets Randonneurs série 2012
Santa Cruz do Sul terá apenas um brevet 200km e uma Fleche
Brevet 200km - 26/11/2011
Santa Ciclismo - http://www.santaciclismo.com.br/
Responsável: Marco Antonio Valim
Fleche - 06/04/2012
Santa Ciclismo - http://www.audaxsantacruz.blogspot.com/
Responsável: Luiz M. Faccin
Local de chegada: Faccin Bicicletas- Santa Cruz do Sul, RS.
Existe ainda o calendário dos brevets Audax que esta disponível em:
Ver aqui!
Onde teremos mais brevets em Santa Cruz do Sul.
Confira!
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Fotos PBP 2011- Erich Brack
O Erich disponibilizou algumas fotos realizadas durante o Paris Brest Paris 2011.
Vale a pena conferir
Veja Aqui!
Boas pedaladas!
Vale a pena conferir
Veja Aqui!
Boas pedaladas!
Um relato do PBP 2011
Um relato dos 1.200km do Paris-Brest-Paris
No esporte e na vida, histórias de superação costumam ser as mais interessantes. Servem de inspiração. O blog bateu um papo com um personagem de uma delas, o microempresário Maurício Helman, que deixou o Rio de Janeiro para participar do desafio 1.200km Paris-Brest-Paris, no fim de agosto. Ele tinha cumprido as distâncias de 200, 300, 400 e 600 km do Audax, pré-requisitos para participar da prova. Mas foi a primeira vez que pedalou por tantas horas e por tanto chão. Viveu, claro, uma experiência inesquecível.
- Nos ultimos 40 quilômetros, eu estava quase chegando, mas precisava dormir, não conseguia mais pedalar, meus olhos estavam fechando. Parei a bicicleta num canto e deitei na relva. Inclusive vi alguns caindo, literalmente, de sono. No meu caso, o guidon chegou a dar uma torcida e foi então que decidi parar. Não sei exatamente quanto dormi, mas foi por mais ou menos duas horas. Fui acordado por dois franceses que perguntaram se estava tudo bem comigo, se eu precisava de água ou ajuda. Eles estavam de bicicleta também, mas não participavam da prova. Os dois foram me acompanhando até eu completar a prova. "A gente vai levar você para completar", disseram eles, muito simpáticos. A participação das pessoas, aliás, foi uma parte tocante da viagem. Os franceses gostam da prova, ofereciam chocolate quente, café e bolo nas cidadezinhas pequenas por onde a gente passava. Era um pessoal muito receptivo. A cada 80 ou 100km tinha sempre uma cidadezinha. Parecia cenário de filme ou de quadrinho do Asterix - relata Maurício, de 49 anos, que completou os 1.200km em 93 horas.
Maurício não é um superatleta. É, sim, um cara que gosta de pedalar e curte superar desafios. Nada de anormal, portanto. Começou a encarar grandes distâncias há três anos. Foi aos poucos. Pegou gosto.
- Sempre pedalei por diversão, comecei a pedalar longa distância em 2008, quando fiz o primeiro Audax, de 200km. Eu nem tinha equipamento de ciclista, pedalei com short de tactel e camisa de algodão. Foi difícil porque ficou tudo molhado, choveu o dia inteiro. De lá para cá eu vim me equipando e melhorando. A bicicleta também mudou muito de lá para cá - lembra.
Depois do Paris-Brest-Paris, quer mais. Quer outras pedaladas de 1.200km por esse mundão afora.
- Foram seis mil ciclistas, sendo 2.500 deles, franceses. O restante, gente de tudo quanto é lugar do mundo. Hoje entrei de tarde no Facebook e tinha um cara da Índia me conectando, que eu conheci na prova. O maior prazer é a troca de experiências com pessoas do mundo todo. E conhecer lugares. Eu não tinha noção, a França é verde, você não vê um pedaço de terra marrom. Tudo é plantado ou é parque. Ter pessoas do mundo todo pedalando ao seu lado é uma experiência que não tem palavra para descrever. A começar na largada, o povo batendo palma e te dando incentivo, tapinha na mão, você se sente um cara especial - narra, entusiasmado.
Completar a prova, superar o desafio é...
- Uma realização, uma conquista pessoal. Essa provas servem para você ganhar autoafirmação pessoal. Quando você consegue completar aquele objetivo, você se torna mais forte como pessoa, mais seguro inclusive para a sua vida pessoal, além do esporte. Você sai uma pessoa muito mais determinada de um experiência assim. Você sente que é um vencedor - explica.
O perrengue
- Virava a noite pedalando, peguei tempestade de vento, já deveriam ser umas dez ou onze da noite. Todas as noites fazia frio. Na segunda e na terceira noite, frio e chuva. Foram três noites ao todo.
O que levou
- Botei bagageiro na bike e roupas num saco. Foi um erro. Choveu e o saco não era impermeável, ficou pesado. E eu nem troquei de roupa. Carreguei peso extra à toa. Embaixo do banco, atrás, tinha bolsa com câmaras reservas e ferramentas. O pneu furou uma vez, porque bobeei e peguei um meio-fio. No quadro, na frente, eu tinha duas bolsinhas com a alimentação (barrinhas e gel). Tinha também duas garrafas de água ou isotônico. E mais uma bolsinha com celular e câmera de foto. Levava bateria reserva para as lanternas da bike. Eram duas lanternas traseiras e duas dianteiras.
O que vestiu e comeu
Usava uma camisa térmica por baixo, uma camisa de ciclista, um corta vento e um colete refletivo obrigatório à noite. A troca de roupa era feita sempre na hora das paradas para comer, já que a diferença de temperatura entre o dia e a noite era grande. Levei isotônico e gel repositor energético, além de barra de cereal. Eram 15 postos de controle, parava para carimbar o passaporte e comer. Comia macarrão à bolonhesa ou com frango, tomava suco de laranja, pegava umas frutas. Eu procurava me alimentar bem. Comia sanduíche e tomava coca-cola nos lanches.
A bicicleta
É uma Signal, americana, modelo Silverado. É uma bike híbrida, originalmente Mountain Bike, mas botei rodas de speed. O pneu é 700/28, com ele a bike fica mais confortável do que ficaria com o pneu 700/23, o tradicional de speed. Este vibra mais, é mais duro. Minha bike tem 20 anos, ela tem uma porção de adaptações. O câmbio original, por exemplo, era de 21 velocidades, hoje é de 30. O quadro está todo enferrujado, mas não pretendo trocar de bicicleta, não. Talvez de quadro.
Os momentos mais difíceis
- Foram na tempestade de vento lateral. E quando o sono batia forte, também.
Nem pensar em desistir
- Essa hipótese, de desistir, realmente não existia. Eu disse para mim mesmo que só pararia de pedalar quando cumprisse o percurso. Perdi muito tempo, às vezes de bate-papo, eu tinha que ter sido mais objetivo. Sem isso daria para chegar nas 90 horas em que deveria chegar. Mas fiquei muito feliz de completar.
Uma mancada
- A organização foi espetacular, tudo muito sinalizado. Mas pedalei 24km à toa, porque peguei o caminho errado. Foi um carteiro que me orientou, e aí voltei 12km, depois de pedalar para lugar nenhum por 12km. Não falo francês. Ele me avisou meio em francês, meio inglês, aí eu consegui compreender.
Quanto custou a aventura -
As passagens consegui com pontos do cartão de crédito. Fiquei num hotel com diária de 38 euros para dois, dividi com Claudio Guilherme, de Niterói, que conheci no Audax do Rio. Comprei um par de rodas lá, que usei na prova. No total, foram de R$ 3 mil a R$ 4 mil de despesa.
A família
- Sou casado e tenho dois filhos, a mais velha com 14 anos e o mais novo, com 11. Fiquei 17 dias fora de casa. Minha mulher me dá todo apoio, meus filhos também. Tinha muita gente que pedalava com a família acompanhando de motorhome. Não acho isso uma boa. O motorhome pode dar ao ciclista uma vontade de ficar de preguiça, esse conforto pode tirar o ânimo na prova.
Uma lição
- Na prova tinha bicicleta de tudo quanto é tipo, é permitido, desde que de propulsão humana. O que marcou mais para mim foi ver uma bicicleta para dois pedalarem ao mesmo tempo. Um dos caras era cego.
Uma conclusão
- A prova não é moleza nenhuma, é barra pesada. Mas quero mais.
O Paris-Brest-Paris, noticiado pelo De Bike em agosto (relembre aqui), parte do subúrbio de Paris e vai até Brest, na beira do oceano, retornando a Paris. O ponto de partida e de chegada é em Saint-Quentin-En-Yvelines, periferia da capital francesa. A prova é disputada a cada quatro anos, essa foi a 17ª edição.
Fonte:e-mail enviado para o grupo Ciclismo de Longa Distancia
(http://oglobo.globo.com/blogs/debike/)
No esporte e na vida, histórias de superação costumam ser as mais interessantes. Servem de inspiração. O blog bateu um papo com um personagem de uma delas, o microempresário Maurício Helman, que deixou o Rio de Janeiro para participar do desafio 1.200km Paris-Brest-Paris, no fim de agosto. Ele tinha cumprido as distâncias de 200, 300, 400 e 600 km do Audax, pré-requisitos para participar da prova. Mas foi a primeira vez que pedalou por tantas horas e por tanto chão. Viveu, claro, uma experiência inesquecível.
- Nos ultimos 40 quilômetros, eu estava quase chegando, mas precisava dormir, não conseguia mais pedalar, meus olhos estavam fechando. Parei a bicicleta num canto e deitei na relva. Inclusive vi alguns caindo, literalmente, de sono. No meu caso, o guidon chegou a dar uma torcida e foi então que decidi parar. Não sei exatamente quanto dormi, mas foi por mais ou menos duas horas. Fui acordado por dois franceses que perguntaram se estava tudo bem comigo, se eu precisava de água ou ajuda. Eles estavam de bicicleta também, mas não participavam da prova. Os dois foram me acompanhando até eu completar a prova. "A gente vai levar você para completar", disseram eles, muito simpáticos. A participação das pessoas, aliás, foi uma parte tocante da viagem. Os franceses gostam da prova, ofereciam chocolate quente, café e bolo nas cidadezinhas pequenas por onde a gente passava. Era um pessoal muito receptivo. A cada 80 ou 100km tinha sempre uma cidadezinha. Parecia cenário de filme ou de quadrinho do Asterix - relata Maurício, de 49 anos, que completou os 1.200km em 93 horas.
Maurício não é um superatleta. É, sim, um cara que gosta de pedalar e curte superar desafios. Nada de anormal, portanto. Começou a encarar grandes distâncias há três anos. Foi aos poucos. Pegou gosto.
- Sempre pedalei por diversão, comecei a pedalar longa distância em 2008, quando fiz o primeiro Audax, de 200km. Eu nem tinha equipamento de ciclista, pedalei com short de tactel e camisa de algodão. Foi difícil porque ficou tudo molhado, choveu o dia inteiro. De lá para cá eu vim me equipando e melhorando. A bicicleta também mudou muito de lá para cá - lembra.
Depois do Paris-Brest-Paris, quer mais. Quer outras pedaladas de 1.200km por esse mundão afora.
- Foram seis mil ciclistas, sendo 2.500 deles, franceses. O restante, gente de tudo quanto é lugar do mundo. Hoje entrei de tarde no Facebook e tinha um cara da Índia me conectando, que eu conheci na prova. O maior prazer é a troca de experiências com pessoas do mundo todo. E conhecer lugares. Eu não tinha noção, a França é verde, você não vê um pedaço de terra marrom. Tudo é plantado ou é parque. Ter pessoas do mundo todo pedalando ao seu lado é uma experiência que não tem palavra para descrever. A começar na largada, o povo batendo palma e te dando incentivo, tapinha na mão, você se sente um cara especial - narra, entusiasmado.
Completar a prova, superar o desafio é...
- Uma realização, uma conquista pessoal. Essa provas servem para você ganhar autoafirmação pessoal. Quando você consegue completar aquele objetivo, você se torna mais forte como pessoa, mais seguro inclusive para a sua vida pessoal, além do esporte. Você sai uma pessoa muito mais determinada de um experiência assim. Você sente que é um vencedor - explica.
O perrengue
- Virava a noite pedalando, peguei tempestade de vento, já deveriam ser umas dez ou onze da noite. Todas as noites fazia frio. Na segunda e na terceira noite, frio e chuva. Foram três noites ao todo.
O que levou
- Botei bagageiro na bike e roupas num saco. Foi um erro. Choveu e o saco não era impermeável, ficou pesado. E eu nem troquei de roupa. Carreguei peso extra à toa. Embaixo do banco, atrás, tinha bolsa com câmaras reservas e ferramentas. O pneu furou uma vez, porque bobeei e peguei um meio-fio. No quadro, na frente, eu tinha duas bolsinhas com a alimentação (barrinhas e gel). Tinha também duas garrafas de água ou isotônico. E mais uma bolsinha com celular e câmera de foto. Levava bateria reserva para as lanternas da bike. Eram duas lanternas traseiras e duas dianteiras.
O que vestiu e comeu
Usava uma camisa térmica por baixo, uma camisa de ciclista, um corta vento e um colete refletivo obrigatório à noite. A troca de roupa era feita sempre na hora das paradas para comer, já que a diferença de temperatura entre o dia e a noite era grande. Levei isotônico e gel repositor energético, além de barra de cereal. Eram 15 postos de controle, parava para carimbar o passaporte e comer. Comia macarrão à bolonhesa ou com frango, tomava suco de laranja, pegava umas frutas. Eu procurava me alimentar bem. Comia sanduíche e tomava coca-cola nos lanches.
A bicicleta
É uma Signal, americana, modelo Silverado. É uma bike híbrida, originalmente Mountain Bike, mas botei rodas de speed. O pneu é 700/28, com ele a bike fica mais confortável do que ficaria com o pneu 700/23, o tradicional de speed. Este vibra mais, é mais duro. Minha bike tem 20 anos, ela tem uma porção de adaptações. O câmbio original, por exemplo, era de 21 velocidades, hoje é de 30. O quadro está todo enferrujado, mas não pretendo trocar de bicicleta, não. Talvez de quadro.
Os momentos mais difíceis
- Foram na tempestade de vento lateral. E quando o sono batia forte, também.
Nem pensar em desistir
- Essa hipótese, de desistir, realmente não existia. Eu disse para mim mesmo que só pararia de pedalar quando cumprisse o percurso. Perdi muito tempo, às vezes de bate-papo, eu tinha que ter sido mais objetivo. Sem isso daria para chegar nas 90 horas em que deveria chegar. Mas fiquei muito feliz de completar.
Uma mancada
- A organização foi espetacular, tudo muito sinalizado. Mas pedalei 24km à toa, porque peguei o caminho errado. Foi um carteiro que me orientou, e aí voltei 12km, depois de pedalar para lugar nenhum por 12km. Não falo francês. Ele me avisou meio em francês, meio inglês, aí eu consegui compreender.
Quanto custou a aventura -
As passagens consegui com pontos do cartão de crédito. Fiquei num hotel com diária de 38 euros para dois, dividi com Claudio Guilherme, de Niterói, que conheci no Audax do Rio. Comprei um par de rodas lá, que usei na prova. No total, foram de R$ 3 mil a R$ 4 mil de despesa.
A família
- Sou casado e tenho dois filhos, a mais velha com 14 anos e o mais novo, com 11. Fiquei 17 dias fora de casa. Minha mulher me dá todo apoio, meus filhos também. Tinha muita gente que pedalava com a família acompanhando de motorhome. Não acho isso uma boa. O motorhome pode dar ao ciclista uma vontade de ficar de preguiça, esse conforto pode tirar o ânimo na prova.
Uma lição
- Na prova tinha bicicleta de tudo quanto é tipo, é permitido, desde que de propulsão humana. O que marcou mais para mim foi ver uma bicicleta para dois pedalarem ao mesmo tempo. Um dos caras era cego.
Uma conclusão
- A prova não é moleza nenhuma, é barra pesada. Mas quero mais.
O Paris-Brest-Paris, noticiado pelo De Bike em agosto (relembre aqui), parte do subúrbio de Paris e vai até Brest, na beira do oceano, retornando a Paris. O ponto de partida e de chegada é em Saint-Quentin-En-Yvelines, periferia da capital francesa. A prova é disputada a cada quatro anos, essa foi a 17ª edição.
Fonte:e-mail enviado para o grupo Ciclismo de Longa Distancia
(http://oglobo.globo.com/blogs/debike/)
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