terça-feira, 25 de outubro de 2011

Psicologia para mais segurança

No livro Le Tao Du Velo, o experiente ciclo turista francês escreveu que:
Para ser mais respeitado por motoristas o uso de alforges grandes ajuda.
Escreveu também que algumas vezes utiliza barras metálicas fixadas aos bagageiros da bike, principalmente em regiões onde não existe cultura ciclística. Estas barras tem a finalidade de dar mais segurança ao ciclista, pois os motoristas toma cuidado quando percebe que a pintura do carro pode ser danificada.

Livro: Le Tao Du Velo, Petites Méditations Cyclopédiques, Julien Leblay. Transboreal, Paris, 2010

Julien já pedalou nos cinco continentes e usa uma bicicleta com carga que atinge um peso total de até 75 kg. Com certeza alguma barra de alumínio do tipo “trilho de cortina” não faz tanta diferença no desempenho sem compromisso.

O leão não ataca um elefante, ou uma pessoa sobre um Jeep, pois ele visualiza apenas um animal maior do que ele. Muitos motoristas agem como animais e desviam do ciclista apenas como defesa e não por respeito ou qualquer outra consideração mais humana que deveria ter com a vida do seu semelhante. Os animais se unem para garantir a sobrevivência, seja na caça ou na defesa. O motorista é pior, pois se junta a maquina e parte para o ataque do qual também é vitima.
A pintura do veiculo passa a ser mais importante do que a vida do ciclista no transito. É um mundo materialista e individualista.

Esta idéia para mim foi nova, mas já pude comprovar algo semelhante de outras maneiras.
Ao pedalar a noite, principalmente quando sozinho, percebi que utilizando a luz traseira no modo continuo sou mais respeitado. A conclusão que chequei é que o motorista presta mais a atenção na luz continua porque nem sempre identifica logo de se tratar de um ciclista. Ele fica na duvida, pode ser um trator, uma moto, um carro velho com uma luz queimada. Qualquer destas opções representa um risco, nem que seja de estragar o carro.

Algumas vezes faço a limpeza da rua em frente ao local de trabalho para retirar a terra e areia. Ao varrer a rua e juntar a terra corro o risco de ser atropelado mesmo quando uso os cones de sinalização na lateral da rua. Os cones plásticos apesar de bem visíveis não representam um risco para os veículos. Quando utilizo a lata e a pá metálica, no mesmo local do cone, o respeito passa a ser maior.
A lata é mais importante do que a minha vida, mesmo que eu seja bem maior do que ela. A lata é uma embalagem de tinta com capacidade de 25 litros.
A lata é um objeto estranho, não se pode ver o que tem dentro e pode ter muito peso.
O cone é um objeto conhecido, leve e não representa risco para o veiculo.
O meu corpo é só mais um na rua. O meu corpo é semelhante a tantos outros que estão lá para atrasar o pobre coitado do poderoso motorista, que não pode perder os preciosos segundos, pois está atrasado para chegar na fila de veículos que já esta formada na próxima esquina.
O cone de sinalização não é nada;
O lata é um risco;
O pedestre ou o ciclista é um inimigo a ser combatido.
A regra deve ser a mesma de alguns animais: para se proteger pareça maior do que realmente é.
Esta deve ser a teoria da lata?
Vamos pendurar latas e espelhos no bagageiro!

Um comentário:

Clandestino disse...

Perfeito meu amigo Luiz!!